
Reprodução CB RADAR
Gostar de dormir tarde, segundo a psicologia, costuma estar relacionado ao chamado cronotipo noturno, um padrão biológico em que o organismo tende a ficar mais desperto à noite e a apresentar sonolência mais intensa pela manhã. Esse comportamento não se resume a um “hábito ruim” ou à falta de disciplina: em muitos casos, envolve fatores genéticos, hormonais e de funcionamento cerebral que influenciam a forma como cada pessoa organiza o sono, a energia e a produtividade ao longo do dia.
O que é cronotipo noturno na psicologia e como ele funciona
O cronotipo noturno é a tendência natural de uma pessoa a atrasar os horários de sono e vigília, sentindo-se mais desperta à noite e sonolenta pela manhã. Estudos em psicologia do sono indicam relação com a regulação da melatonina, do cortisol e com a sensibilidade à luz, além de aspectos de personalidade e estilo de vida, como trouxe a pesquisa “Life between clocks: daily temporal patterns of human chronotypes”.
Pesquisas recentes apontam que adolescentes e adultos jovens apresentam maior probabilidade de desenvolver um ritmo noturno, o que ajuda a explicar a facilidade para estudar ou criar conteúdos à noite. Com o passar dos anos, mudanças hormonais, responsabilidades familiares e demandas profissionais podem deslocar esse padrão para horários mais matutinos, mesmo em quem sempre apreciou dormir mais tarde.
De que forma dormir tarde influencia a produtividade diária
O impacto de dormir tarde na produtividade depende menos do horário em si e mais do alinhamento entre o cronotipo e as exigências do dia a dia. Quando o notívago consegue organizar a rotina para acordar em um horário compatível com o momento em que foi dormir, tende a manter bom rendimento e evitar privação crônica de sono.
Quando a pessoa precisa cumprir jornada fixa em horário comercial, o padrão de dormir muito tarde combinado com pouco tempo de sono pode gerar lapsos de atenção, irritabilidade, menor flexibilidade cognitiva e falhas em tarefas que exigem memória de trabalho. Em contextos mais flexíveis, como trabalho remoto ou atividades criativas autônomas, o perfil noturno pode adaptar a agenda para aproveitar melhor os períodos de maior energia.
Para entender melhor essa relação entre horário de sono e desempenho, a tabela abaixo ilustra alguns cenários comuns entre “dormir tarde” e produtividade ao longo do dia, considerando um adulto com rotina de trabalho ou estudo regular:
| Horário médio de dormir | Horário médio de acordar | Efeito típico na produtividade |
|---|---|---|
| Entre 23h e 0h | Entre 7h e 8h | Produtividade relativamente estável, com leve queda no início da manhã e melhora após o meio da manhã. |
| Entre 1h e 2h | Antes das 7h | Maior cansaço matinal, dificuldade de concentração nas primeiras horas do dia e risco de erros por sonolência. |
| Entre 1h e 3h | Após as 9h | Boa produtividade no fim da tarde e à noite, com sensação de alerta aumentada em horários em que muitos já estão cansados. |
| Após 3h | Após as 10h/11h | Rotina tende a ficar mais desajustada em relação a compromissos diurnos, mesmo com picos de desempenho à noite. |
Quais são as principais características do perfil notívago segundo a psicologia
O perfil psicológico dos notívagos é tema frequente em pesquisas em psicologia diferencial e cronobiologia. Não há uma única “personalidade noturna”, mas alguns traços aparecem com maior recorrência em estudos observacionais, sempre com variações individuais importantes de temperamento, hábitos e contexto de vida.
A seguir, estão algumas características frequentemente associadas ao perfil noturno, que ajudam a compreender como esse padrão influencia o dia a dia, a forma de trabalhar e a relação com a rotina social:
- Tendência a sentir maior clareza mental e criatividade à noite, especialmente em atividades que exigem reflexão, análise ou produção de ideias.
- Maior dificuldade para adormecer cedo, mesmo ao deitar em horários considerados “normais” para a maioria das pessoas.
- Resistência a acordar muito cedo e sensação prolongada de sonolência matinal, conhecida como inércia do sono.
- Preferência por ambientes mais silenciosos e com menos estímulos, como a madrugada, para estudar, trabalhar ou consumir conteúdos.
- Maior flexibilidade para reorganizar horários de refeições, lazer e tarefas, ajustando o dia em torno dos períodos de maior disposição noturna.
- Propensão a adiar o sono em função de atividades online, jogos, séries ou redes sociais, o que pode acentuar o atraso do relógio biológico.
Como lidar de forma saudável com o hábito de dormir tarde
Quando o gosto por dormir tarde causa prejuízos na vida acadêmica, profissional ou nas relações, a psicologia sugere focar em ajustes graduais, não em mudanças bruscas. Pequenas alterações consistentes tendem a ser mais eficazes do que tentativas radicais de se tornar “matutino” de um dia para o outro, o que costuma gerar frustração e ainda mais cansaço.
- Estabelecer horário mínimo de sono: definir uma faixa de sono de pelo menos 7 horas e proteger esse período na agenda, ainda que o início seja um pouco mais tarde.
- Reduzir luz intensa à noite: diminuir exposição a telas muito brilhantes nas horas que antecedem o sono ajuda a sinalizar ao cérebro que está se aproximando o momento de descansar.
- Aproveitar a luz da manhã: abrir janelas ou se expor à luz natural logo após acordar contribui para ajustar, aos poucos, o relógio biológico.
- Organizar tarefas complexas: sempre que possível, concentrar as atividades que exigem maior foco no período em que a pessoa percebe mais clareza mental, seja no fim da tarde ou à noite.
- Buscar acompanhamento profissional: em casos de sofrimento significativo, insônia persistente ou impacto importante na vida cotidiana, a avaliação com profissionais de saúde mental e do sono pode auxiliar na definição de estratégias personalizadas.
Gostar de dormir tarde, à luz da psicologia, não significa apenas ter um costume diferente, mas sim expressar um modo particular de funcionamento do organismo e da mente. Entender o próprio cronotipo e conhecer as características do perfil noturno contribui para escolhas mais alinhadas ao bem-estar, sem ignorar as demandas da rotina social.
com informações de CB RADAR
Fonte: Diário Do Brasil
