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Um fenômeno geológico raro transforma o fundo do mar em território disputado, intriga navegadores há séculos e ainda desafia mapas e especialistas

Um fenômeno natural de grande impacto histórico e científico foi registrado repetidamente no Mar Mediterrâneo, entre a Sicília e a Tunísia, chamando atenção desde a Antiguidade.
Trata-se de uma ilha vulcânica efêmera, que surgiu e desapareceu ao menos quatro vezes ao longo de cerca de 2.300 anos, sempre impulsionada por erupções submarinas.
A formação ficou conhecida por diferentes nomes ao longo do tempo, como Graham IslandIsola Ferdinandea e L’île Julia, refletindo disputas políticas e cartográficas.
Esse comportamento incomum está diretamente ligado à atividade do vulcão submarino Empédocles, cuja cratera permanece logo abaixo da superfície do mar.
Assim, a ilha se tornou um dos casos mais emblemáticos de território temporário já registrado na história europeia.

Origem vulcânica explica o ciclo de aparecimento e desaparecimento

A base desse fenômeno está na estrutura do vulcão Empédocles, que mede aproximadamente 30 quilômetros por 25 quilômetros e possui cerca de 400 metros de altura total.
Atualmente, o topo da cratera encontra-se a aproximadamente nove metros abaixo do nível do mar, o que explica sua instabilidade geográfica.
Sempre que ocorrem erupções submarinas intensas, o magma entra em contato com a água, se solidifica rapidamente e, assim, forma uma massa de terra emergente.
No entanto, como o material é composto majoritariamente por rochas frágeis, a erosão marinha atua de forma acelerada.
Com o enfraquecimento da atividade vulcânica, as ondas desfazem a estrutura, fazendo a ilha desaparecer novamente.

Registro de 1831 marca o episódio mais documentado

O evento mais bem registrado ocorreu em 12 de julho de 1831, quando o marinheiro Ferdinando Caronna, de Nápoles, relatou uma intensa coluna de fumaça surgindo do mar.
Inicialmente, muitos acreditaram tratar-se de um navio em chamas, mas, nos dias seguintes, a atividade vulcânica ficou evidente.
A água passou a borbulhar intensamente, enquanto fragmentos rochosos emergiam gradualmente.
Cinco dias depois, a ilha já apresentava dimensões suficientes para receber visitas e atos simbólicos de posse.
Naquele momento, o Reino das Duas Sicíliasreivindicou o território, utilizando objetos simples como marco de soberania.

Dimensões, disputas e rápido declínio da ilha

No auge de sua formação, ainda em 1831, a ilha alcançou cerca de 1.528 metros de diâmetro e aproximadamente 63 metros de altura acima do nível do mar.
Essa dimensão atraiu cientistas, curiosos e representantes de diferentes potências europeias.
A localização estratégica no Canal da Sicília aumentou o interesse diplomático, pois a área tinha importância militar e comercial.
Entretanto, menos de seis meses após sua formação, a ilha começou a ser consumida pelas ondas.
Pouco tempo depois, desapareceu completamente sob o mar, encerrando o episódio mais emblemático de sua história.

Novas aparições e tentativas simbólicas de preservação

Há indícios de que a ilha tenha reaparecido brevemente em 1863, embora com tamanho reduzido e menor repercussão.
Já em 2000, registros de atividade sísmicareacenderam especulações sobre um possível retorno.
Diante desse cenário, autoridades italianas organizaram uma expedição para instalar uma placa de mármore submersa no topo da cratera.
O ato contou com a presença de descendentes do antigo Reino das Duas Sicílias e tinha caráter simbólico.
Mesmo assim, a placa foi destruída pelo mar em poucos meses, e a ilha não voltou a emergir.

Presença invisível ainda preocupa a navegação

Apesar de submersa, a formação continua indicada em cartas náuticas modernas, pois representa risco real para embarcações.
Isso ocorre porque muitos navios possuem calado superior aos nove metros de profundidade onde se encontra o topo do vulcão.
Além disso, a ilha integra a categoria das chamadas “ilhas fantasma”, formações que aparecem em mapas, relatos ou registros históricos, mas não existem de forma permanente.
Estudos de cartografia e geologia continuam utilizando esse caso como exemplo clássico de território efêmero.
Assim, mesmo invisível, a ilha segue presente na ciência, na história e na navegação.

Diante de um fenômeno que reaparece, desaparece e continua influenciando mapas e disputas, até que ponto a geografia pode ser considerada realmente definitiva?

com informações de Clickpetroleoegas 

Fonte: Diário Do Brasil

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Ilha vulcânica do Mediterrâneo surge, desaparece e retorna quatro vezes ao longo da história europeia, desperta disputas territoriais, mobiliza cientistas e permanece como risco oculto na navegação moderna