Reprodução / Redes Sociais

No último dia 15, Lula publicou um vídeo emocionante ao lado do diplomata Douglas Almeida, homem negro e terceiro-secretário do Itamaraty, que toma posse nesta terça-feira.

Filho de pedreiro e diarista, Douglas estudou em escola pública e ingressou no curso de Relações Internacionais por meio do Prouni, programa criado no governo petista que já garantiu diploma de ensino superior a milhões de brasileiros. A cena foi celebrada por Lula e Janja como símbolo de ascensão social e diversidade em uma das carreiras mais elitizadas do país.

Beleza. Mas, além do inegável sucesso do programa e da importância de jovens como Douglas ocuparem espaços estratégicos da diplomacia, uma parte central dessa narrativa ficou de fora do discurso do presidente: o racismo dentro do Itamaraty.

Segundo diplomatas negros, eles até conseguem ingressar na profissão com um pouco mais de facilidade hoje, graças às políticas afirmativas. O difícil é conseguir promoções, integrar funções estratégicas e ter o privilégio de um “apadrinhamento” na carreira — figura ainda decisiva no ministério.

Há relatos recorrentes de diplomatas negros que adoeceram emocionalmente e precisaram se afastar do trabalho, sobretudo entre os mais jovens, que ingressaram na carreira em um momento de maior visibilidade da pauta racial, mas encontram pouca disposição institucional para enfrentá-la.

Em dezembro passado, Lula foi cobrado formalmente pela Educafro a se pronunciar sobre o caso do diplomata Filipe Brito Hamburgo, que denunciou ter sido vítima de injúria racial durante a COP30 por parte de um superior hierárquico. O presidente, porém, até agora nada disse sobre o caso.

Para os atuais diplomatas negros do Itamaraty, celebrar a conquista de mais negros nesses espaços é necessário, mas é insuficiente sem um ambiente em que eles também possam chegar aos mais altos postos sem a sombra do racismo.

Em nota, o Itamaraty afirma que, desde 2022, mantém uma Divisão de Saúde e Segurança do Servidor voltada à saúde mental, com iniciativas como a Campanha Permanente de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação e o Núcleo de Apoio Psicológico, que oferece atendimento sigiloso no Brasil e no exterior. O ministério ressalta ainda que o Instituto Rio Branco mantém, há décadas, programas de ação afirmativa para ampliar o acesso de pessoas negras, indígenas e outros grupos sub-representados à carreira diplomática.

Destaca também um decreto recente que atualiza as regras de promoção e prevê mecanismos para incentivar diversidade e equidade. Sobre o diplomata Filipe Hamburgo, diz que relatos de uma suposta altercação física foram apurados na esfera administrativa e que o PAD ao qual ele respondia não tinha relação com esses fatos. Por fim, reforça que dispõe de uma Corregedoria, com pessoal treinado, para receber, apurar e punir denúncias de assédio.

Fonte: o globo

Fonte: Diário Do Brasil

Compartilhar matéria no
O silêncio de Lula sobre a estrutura racista do Itamaraty