
Ricardo Stuckert / Presidência da República
O lançamento do chamado Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio pelo governo federal nesta semana expõe, de forma quase didática, o descompasso entre o discurso político e a realidade das ações do governo federal voltadas para as mulheres. Anunciado durante evento em Brasília, com direito a discursos inflamados, o pacto simplesmente não traz nenhuma proposta concreta ou medida efetiva capaz de alterar, de maneira substantiva, o ambiente de impunidade que sustenta a violência contra a mulher no Brasil.
Nos últimos anos, a violência contra as mulheres só tem crescido. Em 2024, o país registrou 1.492 feminicídios; em 2025, o total subiu para 1.518 vítimas, o maior número desde a criação da lei que tipificou o crime. Isso significa que, em média, quatro mulheres brasileiras são assassinadas por dia. Houve crescimento também em outros crimes associados à violência contra as mulheres, como perseguição (stalking), violência psicológica, e crimes de violência sexual, como estupro.
As mulheres brasileiras não pedem discursos vazios; pedem segurança. Querem que criminosos sejam presos, julgados e punidos em tempo razoável – antes que a reincidência produza novas vítimas
Tudo isso sob a atual gestão federal, que fez da pauta feminina um de seus principais pilares retóricos durante a campanha eleitoral passada. Na prática, porém, pouco foi feito para alterar o cenário. Dados oficiais mostram que, em 2024, apenas 12% dos recursos previstos para ações de combate à violência contra a mulher foram efetivamente executados. Pactos, programas e campanhas sucessivas acumulam-se no discurso, mas não se traduzem em proteção real. A omissão administrativa, nesse caso, não é abstrata – tem consequências diretas, mensuráveis e, como demonstram os números, é paga com vidas.
Fonge:Gazetadopovo
Fonte: Diário Do Brasil
