
Por Jeffrey A. Tucker
Quando eu era jovem, cientistas do clima alertavam para uma nova Era do Gelo. A civilização industrial supostamente nos levaria ao congelamento global. Crianças não distinguem mil anos de amanhã, então eu acordava esperando neve no Oeste do Texas.
Com o tempo, essa previsão desapareceu. Surgiu o aquecimento global: calotas derreteriam, cidades seriam submersas. A crença era tratada como obrigatória; discordar rendia o rótulo de negacionista.
Nunca levei totalmente a sério. Os modelos variavam conforme as medições escolhidas e pareciam capazes de produzir resultados distintos. Além disso, provar causa e efeito em sistemas tão complexos parecia impossível. E os valores de imóveis à beira-mar continuavam subindo.
Ignorei o alvoroço, inclusive a ideia de que incentivos financeiros distorciam a ciência. Parecia conspiratório demais — até a COVID. Então vi especialistas defenderem absurdos para proteger carreiras e status. Isso abalou minha confiança.
Hoje, na Nova Inglaterra, enfrento o inverno mais frio em duas décadas. Antes alguém perguntaria: “E o aquecimento global?” Agora a tese tornou-se “mudança climática” — ampla o bastante para abranger calor e frio. A formulação tornou-se infalsificável.
O New York Times recentemente sugeriu que uma grande geada pode estar ligada à mudança climática. Anos atrás, atribuiu um inverno quente ao mesmo fenômeno. Neve, seca ou furacão: tudo vira evidência.
O ex-representante dos EUA no Painel Intergovernamental da ONU, Steven Koonin, criticou colegas por exagerarem ameaças, prejudicando a credibilidade da área. Ainda assim, a narrativa persiste: a atividade humana enfurece a natureza, que responde com desastres.
Os efeitos políticos são significativos. Restrições energéticas elevaram custos, afetando especialmente os pobres. Paisagens foram cobertas por turbinas e painéis solares, às vezes ineficientes nas próprias condições locais.
A crença de que especialistas podem planejar o clima global lembra a história do rei Canuto. Segundo a lenda, ele ordenou que o mar recuasse para demonstrar os limites do poder humano. As ondas não obedeceram. O ponto era mostrar que autoridade tem limites.
Por que, então, cientistas e burocratas frequentemente falam com certeza sobre previsões de 50 ou 100 anos? F.A. Hayek chamou isso de “charlatanismo”: a pretensão de conhecimento em sistemas complexos.
Não sabemos com precisão como o clima evoluirá, quais fatores pesam mais nos modelos, nem os custos e benefícios de políticas amplas. Ciência exige experimentação contínua, revisão de hipóteses e humildade — não planejamento central rígido.
A ideia de que painéis globais possam controlar o clima com segurança ignora os limites do conhecimento humano.
Acrescente a política — com seus incentivos e disputas de poder — e a complexidade aumenta.
Hayek advertiu que, em ordens sociais complexas, não podemos adquirir conhecimento pleno para dominar eventos. Talvez baste lembrar a lição atribuída a Canuto: o poder humano é
limitado.
Pretender controlar sistemas vastos e intrincados como o clima pode dizer mais sobre nossa ambição do que sobre nossa capacidade.
Fonte: The Epoch Times
