
Imagem: Divulgação
GPA, o Grupo Pão de Açúcar, alertou ao mercado que a sequência de prejuízos apurados nos últimos trimestres colocam em risco a continuidade da operação no Brasil. A informação está na demonstração financeira do grupo referente ao quarto trimestre de 2025, período em que a companhia teve perda de R$ 572 milhões.
O que aconteceu
Grupo Pão de Açúcar teme pela continuidade dos negócios no Brasil. Na nota explicativa de número 1.6, dentro da demonstração financeira referente ao quarto trimestre de 2025, publicada ontem após fechamento de mercados, o GPA afirma que a melhora dos resultados operacionais recentes não têm sido suficientes para estancar os prejuízos no balanço e, por isso, considera ameaçada a continuidade do negócio no país.
Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período. Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia.” GPA, em nota explicativa na demonstração financeira
Empresa teve déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,224 bilhão em 31 de dezembro. Na justificativa, o GPA diz que esse rombo se deve principalmente a empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no montante de R$ 1,7 bilhão.
Busca por renegociação ainda não rendeu resultados. A empresa conta que vem buscando “um conjunto de iniciativas que incluem negociações para o alongamento de prazos de dívidas financeiras, redução do custo financeiro e de despesas e monetização de créditos tributários”, para mitigar os riscos associados ao capital circulante negativo e aos vencimentos relevantes previstos para 2026. Entretanto, até o momento, “não possui contratos firmados para renegociação das dívidas e vendas de créditos tributários”.
Peso da dívida está queimando caixa. O GPA cresceu em 2,6 vezes o fluxo de caixa operacional em 2025 ante 2024, para R$ 669 milhões. Entretanto, o custo financeiro líquido das dívidas cresceu R$ 325 milhões, para R$ 920 milhões no ano.
Endividamento ante lucro operacional piorou. A dívida líquida de curto prazo cresceu para R$ 1,7 bilhão, de R$ 850 milhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) no ano, ajustado consolidado, atingiu R$ 1,750 bilhão, crescimento menor, de 5,2%.
GPA registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões no quarto trimestre de 2025. A perda representa uma redução de 48,2% em relação ao prejuízo de R$ 1,104 bilhão apurado em igual período de 2024.
Redução do prejuízo foi graças a efeito contábil. A melhora decorreu do efeito positivo na linha de imposto de renda que totalizou R$ 179 milhões. Segundo a empresa, com o reconhecimento do ativo fiscal diferido sobre o impairment registrado na venda da participação na FIC. Considerando apenas as operações continuadas, o prejuízo dos acionistas controladores foi de R$ 523 milhões, queda de 29% na comparação anual.
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Receita líquida somou R$ 5,114 bilhões no período de outubro a dezembro do ano passado, recuo de 2% frente igual intervalo de 2024. Já no acumulado de 2025 o mesmo indicador registrou avanço de 1,7% frente 2024, somando R$ 19,1 bilhões.
Com informações de UOL
Fonte: Diário Do Brasil
