
Ricardo Stuckert
Nos bastidores de Brasília, o clima é de apreensão entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do avanço do senador Flávio Bolsonaro nas projeções eleitorais para 2026. Levantamentos recentes que circulam entre lideranças políticas indicariam um cenário competitivo — e, em alguns casos, favorável ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — o que tem acendido o alerta no campo da esquerda.
Segundo apuração junto a parlamentares e interlocutores do governo, cresce a avaliação de que a disputa presidencial poderá ser marcada por forte tensão institucional. Mesmo com a futura composição do Tribunal Superior Eleitoral sob presidência de Nunes Marques e vice de André Mendonça — ambos indicados por Jair Bolsonaro —, aliados do Planalto enxergam no Supremo Tribunal Federal um fator de equilíbrio decisivo.
Nesse contexto, o nome do ministro Alexandre de Moraes volta ao centro das atenções. A leitura de bastidores é que, mesmo fora do comando do TSE, Moraes poderia exercer influência relevante por meio do STF, especialmente em temas ligados à regulação do ambiente digital e combate à desinformação — áreas que ganharam protagonismo nas últimas eleições.
Fontes ouvidas pela reportagem apontam que setores da esquerda veem no atual arcabouço jurídico, incluindo investigações como o inquérito das fake news, um instrumento ainda com potencial de impacto no cenário eleitoral. A estratégia, segundo essas avaliações, passaria por garantir um ambiente institucional mais rígido diante do crescimento de candidaturas alinhadas ao bolsonarismo.
Do outro lado, parlamentares da oposição reagem com críticas duras, classificando essa leitura como sinal de fragilidade política e tentativa de judicialização prévia do processo eleitoral. Já figuras do centro político adotam postura mais cautelosa, reconhecendo o peso do Judiciário, mas defendendo que o protagonismo do TSE deve ser preservado.
Uma frase dita por um político com trânsito entre diferentes correntes resume o momento: “quando a eleição começa a ser discutida mais nos tribunais do que nas ruas, é sinal de que o nível de tensão será alto”.
A pouco mais de dois anos do pleito, o cenário ainda está em formação, mas uma coisa já é clara em Brasília: o avanço de Flávio Bolsonaro mudou o eixo da disputa e elevou a temperatura política — colocando, mais uma vez, o Judiciário no centro do jogo eleitoral brasileiro.
Fonte: Diário Do Brasil
