Geraldo Magela/Agência Senado

A ala do STF (Supremo Tribunal Federal) atingida diretamente pelo relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), na CPI do Crime Organizado, aposta em um processo rápido contra o parlamentar, que deve resultar em sua inelegibilidade até o final deste ano.

À CNN, um interlocutor da Corte disse que Vieira “não terá mais paz”, após o senador ter pedido, em seu parecer, o indiciamento de três ministros do STF (Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes), além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O relatório foi rejeitado pelo colegiado, por 6 votos a 4.

Para ministros do STF, o relator desviou do que deveria ser o objeto do seu relatório – investigar o crime organizado – para atacar a Corte com objetivos de ampliar suas chances eleitorais em Sergipe. O parlamentar é pré-candidato à reeleição ao Senado Federal pelo estado.

Leia Mais

Pedido de indiciamento de ministros do STF foi baseado em fatos, diz Vieira
População não acredita mais no STF, que segue intocável, diz jurista
Após CPI, Fachin repudia pedido de indiciamento de ministros do STF
Um ministro disse à CNN considerar contraditório o fato de o relator não ter pedido indiciamento de criminosos ligados às duas grandes facções do país, o PCC e o Comando Vermelho.

A representação deverá ser protocolada ainda nesta quarta-feira (15) por Gilmar Mendes junto à PGR. A principal acusação é a de que houve abuso de poder por parte do senador ao elaborar um relatório que pedia o indiciamento.

O incômodo de Gilmar, dentre outros pontos, segundo seus interlocutores, se deve em muito ao fato de ele não estar envolvido no caso do Banco Master. Vieira o incluiu no relatório em razão de um habeas corpus proferido por ele derrubando a quebra de sigilo da empresa Maridt, ligada à família de Toffoli e que fez negócios com Daniel Vorcaro.

O fato de a representação ser feita por Gilmar, porém, decano da Corte, e analisada futuramente por Gonet, tende a acelerar o processo contra Alessandro Vieira, podendo afetar sua campanha à reeleição.

Pré-candidato e um dos favoritos na disputa, Vieira tem como principais adversários no estado o ex-deputado federal André Moura (União) e o também senador Rogério Carvalho (PT).

O registro das candidaturas ocorre até 15 de agosto e a eleição está marcada para o dia 4 de outubro. Advogados eleitorais com quem a CNN conversou apontam que, para ser declarada a inelegibilidade, o processo deveria ser concluído até 15 de agosto, o que é considerado um prazo muito rápido e atípico para uma ação do tipo.

Ainda assim, se ele for condenado entre o registro e a data da eleição, e ainda houver recurso cabível, seu nome se mantém na urna. Se a condenação for definitiva ele não poderá constar na urna. Se ele for condenado depois do pleito, corre o risco de não ser diplomado, caso seja eleito.
Com informações de CNN

Fonte: Diário Do Brasil

Compartilhar matéria no
No momento, você está visualizando Ala do STF já articula cenário para tornar Alessandro Vieira inelegível ainda este ano