REPRODUÇÃO

O cardiologista e vereador de Jaboticabal (SP) Dr. Célio de Morais, filiado ao PL, tenta transformar em trampolim político um apelido que diz detestar, dado justamente pela semelhança física com o presidente Lula. Conhecido entre bolsonaristas como “Lula do Bem”, o vereador agora quer voos mais altos, se colocando como pré-candidato a deputado federal. Na entrevista à coluna GENTE, o médico evita responder de forma direta sobre temas centrais de saúde pública — como a pandemia de Covid-19 e sua posição sobre vacinas, dispara críticas a Lula, se contradiz em diferentes momentos e ainda distorce o significado do termo “patriota” ao tentar se apropriar politicamente da palavra. Diante das evasivas e inconsistências, a coluna optou por publicar a entrevista na íntegra, permitindo que o próprio personagem revele, sem filtros, as fragilidades do discurso que tenta projetá-lo para voos mais altos na política.

Por que decidiu entrar para a política? Na verdade, não decidi entrar, aceitei entrar para a política. Aos 70 anos, não tinha como começar na política. Bolsonaro, após contato, me pediu que eu fosse um bom vereador e fosse para Brasília com ele fazer um trabalho bom para o Brasil. Esse é o motivo pelo qual entrei na política. Eu sempre fui médico e trabalhei como médico, e entendi que o médico não deve se envolver com política partidária. Acontece, que depois de 41 anos de medicina em Jaboticabal, entendi que já não era tão importante mais atendendo 30, 40 pacientes por dia.

Quando começou a ser comparado fisicamente com o presidente? No princípio, isso me incomodou muito, não tinha experiência na vida. Muito embora desde 1982 quando assistia a um comício do saudoso e respeitável doutor Ulisses Guimarães, no largo do Rosário Campinas, fui confundido com o atual presidente. Então, carrego já no meu dia a dia esse histórico dessa imagem. E, ao ser fotografado na Avenida Paulista no dia 25 de fevereiro de 2024, fui confundido como um infiltrado e isso gerou meme que foi transmitido com humor.

Teme ser acusado de oportunismo eleitoral? Não, como disse desde 1982 sou confundido pela aparência com o presidente atual. E nunca usei isso como marketing político ou promoção pessoal. Agora, cada um faz a interpretação que quiser, mas nunca usei isso como promoção pessoal.

O senhor é próximo a Jair Bolsonaro? Participei de algumas caminhadas com o presidente; desde 2013, na época dos 20 centavos, participo das manifestações políticas. Até porque sou um empresário falido. Eu tinha 450 funcionários, mas dona Dilma me quebrou e quebrou o país. Desde então, vou para as avenidas para buscar um país melhor para meus filhos e netos. Não quero ter problemas pessoais, trabalhistas e fiscais para o resto da minha vida. Já vi muitas coisas, já estive com o Papa João Paulo II, com o Zico, com Roberto Carlos, já vi muitas vezes Lula em praça pública. Nunca vi alguém ser tão amado e respeitado no meio do povo como Bolsonaro.

Como médico, como avalia a forma que o governo Bolsonaro lidou com a pandemia de Covid-19? Não se muda medicina e paradigmas médicos em um mandato. É uma geração de 20, 30, 50 anos para poder ajustar comportamentos médicos. Acredito que o presidente tentou fazer algo muito bom, em nível de Anvisa e respeito às prefeituras, não faltando dinheiro para as prefeituras, dando oportunidade para que elas fizessem uma boa promoção da saúde.

Caso eleito, quais seriam suas principais prioridades legislativas para São Paulo? Tenho experiência na saúde. O que pretendo fazer é simplesmente atender o pedido do presidente Bolsonaro: levar para Brasília o meu projeto de saúde básica. Aquilo que estou desenvolvendo na minha cidade, tenho certeza que com trabalho e com algumas correções, vai ser um case de sucesso lá na minha cidade, e eu vou levar para âmbito nacional.

Quais as vantagens em ser parecido com presidente Lula? Vantagem eu não saberia dizer. Eu respondi para o presidente Bolsonaro quando ele me questionou sobre isso: “eu sou um brasileiro comum, que tem a afeição do brasileiro comum como o presidente Lula também tem”. Na verdade, não vejo nem vantagem nem desvantagem. A diferença é que cada um usa o seu corpo à sua maneira. O corpo, eu agradeço a Deus essa fisionomia que eu tenho.

O senhor tem uma “Janja” como companheira? Sou casado com uma esposa maravilhosa, chamada Denise, arquiteta. Temos 40 anos de casamento. Nunca traí a minha esposa, sempre a respeitei. Eu tenho três filhos, tenho quatro netos.
Com informações de VEJA

Fonte: Diário Do Brasil

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