
(ASIF HASSAN/AFP)
O risco de estagflação — combinação incômoda de inflação alta com crescimento fraco — voltou ao radar com o avanço das tensões no mercado de petróleo. Caio Tonet, especialista em petróleo e energia da W1 Inc., lembra que a dependência global do petróleo vai muito além dos combustíveis e atinge fertilizantes, embalagens e uma infinidade de produtos do cotidiano. Para ele, forma-se uma “situação perfeita para o aumento muito grande da inflação devido a uma crise energética”, num momento em que a demanda também cresce com o avanço tecnológico e a expansão dos data centers.
A preocupação se intensifica com o impacto logístico. Segundo Tonet, o fechamento do Estreito de Ormuz altera a dinâmica entre Oriente Médio e Ásia, elevando significativamente o custo do frete com navios parados e rotas mais longas. Ele compara a economia global a um conjunto de engrenagens interligadas, no qual a principal — a energia — está ficando mais cara e contaminando toda a dinâmica econômica.
Nesse ambiente, o cenário típico de estagflação ganha força: crescimento quase nulo com inflação resistente. Tonet vê pouca chance de o barril retornar rapidamente para a faixa de 60 ou 70 dólares, diante de danos à infraestrutura energética e da volatilidade associada ao conflito. O resultado é um horizonte mais incerto, com inflação pressionada e atividade econômica andando de lado.
Com informações de VEJA
Fonte: Diário Do Brasil
