Mesmo proibido, uso de vapes tem crescido no Brasil. Foto: yta/Adobe Stock

Mesmo proibido no Brasil, o uso de cigarros eletrônicos (vapes) cresceu de forma significativa entre adolescentes de 13 a 17 anos. O que muitos desses jovens desconhecem é que o consumo desses dispositivos está ligado a graves problemas de saúde, entre eles uma doença pulmonar severa: a bronquiolite obliterante, também conhecida como “pulmão de pipoca”.

A condição é caracterizada por uma inflamação dos bronquíolos, as menores vias aéreas dos pulmões, responsáveis por conduzir o ar até os alvéolos, onde ocorre a troca de oxigênio. Com o processo inflamatório, essas estruturas podem sofrer fibrose (cicatrização), resultando em obstrução permanente da passagem de ar.

O nome popular surgiu a partir de casos identificados em trabalhadores de fábricas de pipoca de micro-ondas expostos ao diacetil, substância usada para dar aroma de manteiga ao produto.

“Esse mesmo composto é utilizado no líquido do vape como agente aromatizante e, quando inalado, pode provocar fibrose dos bronquíolos”, explica a pneumologista Elnara Márcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês.

Segundo a especialista, os cigarros eletrônicos estão longe de serem uma alternativa segura ao cigarro tradicional. Isso porque esses dispositivos podem conter mais de 2 mil substâncias tóxicas, incluindo metais pesados (como níquel, chumbo e zinco) e compostos potencialmente cancerígenos, como formaldeído e acroleína, além de nicotina, propilenoglicol e glicerina vegetal.

Apelo entre o público jovem

O consumo desses dispositivos é mais comum entre adolescentes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que o uso de cigarros eletrônicos entre jovens de 13 a 17 anos quase dobrou nos últimos anos, passando de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.

Os sabores e aromas são um dos principais fatores de atração para esse público. Além disso, os dispositivos utilizam o chamado sal de nicotina, uma forma da substância que aumenta significativamente o potencial de dependência.

“Ele ativa os receptores de nicotina no cérebro de maneira abrupta e mais intensa do que o cigarro convencional. Como consequência, os sintomas de abstinência são mais fortes. É comum vermos jovens utilizando o vape continuamente ao longo do dia ou até acordando à noite para consumir”, afirma Elnara.

Especialistas alertam ainda para a rapidez com que os danos podem surgir. “Já observamos em pacientes jovens redução da função pulmonar e inflamação das vias respiratórias logo após os primeiros usos”, explica o pneumologista Marcos Tavares, do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas.

Segundo ele, a forma como o vape libera nicotina em altas concentrações pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca, além de aumentar o risco de arritmias e até infartos precoces.

Sintomas do “pulmão de pipoca”

A bronquiolite obliterante é uma doença grave e irreversível, marcada pela fibrose das pequenas vias aéreas.

Entre os principais sintomas estão tosse seca persistente, que não melhora com xaropes, falta de ar progressiva, pigarro, cansaço desproporcional e chiado no peito. Também podem surgir tontura, dor de cabeça, ansiedade, insônia e dificuldade de concentração.

Condições pré-existentes, como asma, bronquite e outras doenças pulmonares crônicas, além de problemas cardíacos, podem agravar o quadro e acelerar sua evolução.

O maior risco está no diagnóstico tardio, quando os sintomas já estão mais evidentes e o dano pulmonar se torna permanente.

“O tratamento busca aliviar os sintomas e tentar retardar a progressão da doença, mas a capacidade pulmonar perdida não é recuperada”, explica Tavares.

Além dos impactos físicos, o uso de cigarros eletrônicos também pode afetar a saúde mental. “Quadros de ansiedade e depressão podem ser agravados. Por isso, é fundamental procurar ajuda médica ao surgirem os primeiros sinais possivelmente relacionados ao uso do vape ou sintomas de dependência”, orienta Elnara.

Com informações de ESTADÃO.

Fonte: Diário Do Brasil

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