ROBERTA LUCHSINGER – “Eu trabalho a política via Palácio. Com costuras”, disse a lobista, explicando sua estratégia de atuação em Brasília (@roberta.luchsinger/Instagram)

Enquanto fez um empréstimo no valor de 249. 000 reais ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, além de presenteá-lo com joias, quadro e pagamento de contas, a lobista Roberta Luchsinger deve ao menos 1 milhão de reais em impostos por meio de empresas em que figura como sócia. Outras ações de cobrança na dívida ativa já prescreveram, segundo dados obtidos por VEJA. Amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Roberta figura como uma das proprietárias de três empresas: Distribuidora Luchsinger Ltda, RL Consultoria e Intermediações S. A. e Elephant II Produções Ltda.

Destas empresas, apenas a primeira não figura com cobranças. Já a RL Consultoria tem pendência de 821. 090,57 reais. Dados públicos mostram ao menos 21 cobranças na dívida ativa classificadas pela Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 3ª Região como “em cobrança”. Pelo menos oito títulos de impostos devidos já foram cancelados por prescrição. Segundo dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desde 2021 a Prefeitura de São Paulo moveu cinco ações — em trâmite na primeira instância — com cobranças que ultrapassam 200. 000 reais relacionadas ao Imposto sobre Serviço (ISS). Na Elephant II Produções, em que Roberta é apresentada como sócia administradora, existe uma cobrança na dívida ativa no valor de 54. 746,42 reais, que segundo a Procuradoria Regional da Fazenda, está “em cobrança”. Um outro processo vinculado à mesma empresa já aparece como “extinta por prescrição”.

Segundo investigação da Polícia Federal, a qual VEJA teve acesso, não há dúvida de que Roberta Luchsinger mantinha uma sociedade oculta com Lulinha e Fernando Bittar para intermediar negócios. “Os elementos probatórios obtidos no curso da investigação revelam a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal”, concluíram os delegados. Nas mensagens, a lobista Roberta jactava-se de uma suposta proximidade com o presidente Lula. Segundo ela, o petista já teria, inclusive, lhe oferecido um cargo no governo. Roberta conta que não aceitou. Em conversa com um empresário em 2024, explicou que preferiu se dedicar à “sociedade” com o filho do presidente. “Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (… ) Eu disse: onde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando. ” E explicou o porquê: “Tô em cargo nenhum e ando onde quero”. Em sabatina na TV Globo, na última semana, o petista negou que tenha oferecido cargo para Roberta, a quem chamou de “pilantra”.

Ainda de acordo com a PF, como VEJA também mostrou, Lulinha já estava se mexendo nos bastidores havia algum tempo. O grupo precisava de acesso ao Ministério da Saúde. Coube a Marcola marcar uma reunião entre a lobista e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta. Essa reunião só aconteceu depois da interferência de Lulinha. “Pousei. Vou lá no Berge”, disse Roberta a Fábio em 6 de março de 2024. “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo (beijo) pro Berge e fala que não fui porque vc não chamou”, ironiza o primogênito. Roberta não esconde o objetivo: “Precisamos 100% do Berge”.

Após o encontro, Marcola recebeu a minuta de um documento que liberava a produção de medicamentos à base de canabidiol. Nesse mesmo período, Roberta passou a pagar contas pessoais do auxiliar do presidente. Entre fevereiro e novembro de 2024, foram 217 098 reais em faturas de cartão de crédito, boletos de apólice de seguro, financiamento do carro, um par de brincos e um pingente de diamantes com que ele presenteou a esposa. Homem de confiança de Lula, Marcola possuía acesso direto ao gabinete de Lula, testemunhava inclusive conversas fora da agenda oficial e até atendia o celular do presidente. Ele acabou sendo exonerado em julho passado, por ordem do presidente. Em sua defesa, garante que as transações foram parte de um empréstimo, que ele quitou depois, e que sua demissão nada teve a ver com isso. A lobista Roberta confirma a história do empréstimo pessoal. Até onde se sabe, Marcola não é investigado no caso.
Com informações de VEJA

Fonte: Diário Do Brasil

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