
O presidente Lula e o ministro do STF Gilmar Mendes — Foto: Evaristo Sá/AFP/Fellipe Sampaio /SCO/STF
Na conversa que teve com o presidente Lula, na terça-feira (1º), o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que o governo é um dos culpados pela crise instaurada na corte. O tema da reunião foram as revelações de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha contato frequente com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A coluna apurou que o ministro externou ao presidente da República que o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, vinha alertando há tempos sobre a maneira como André Mendonça vinha conduzindo investigações sensíveis. Segundo Gilmar, Rodrigues não teve respaldo de órgãos do governo federal, em referência à Advocacia-Geral da União, liderada por Jorge Messias, e ao Ministério da Justiça, comandado por Wellington César Lima e Silva.
A insatisfação da cúpula da PF com Mendonça cresceu progressivamente. Andrei chegou a pedir à AGU que tomasse medidas em relação a decisões do ministro em processos dos quais é relator.
Entre as ações criticadas pela corporação estavam a determinação de Mendonça para estringir o acesso da cúpula da PF a informações dos inquéritos do INSS que avançavam sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O magistrado também requisitou a transferência de todos os dados brutos das investigações das fraudes no INSS para seu gabinete. Mendonça ainda ordenou que o afastamento de policiais das equipes de investigação fosse comunicado previamente a ele.
Essas medidas foram vistas como “abuso” e interferência no trabalho da PF, na avaliação do chefe da corporação, Andrei Rodrigues. Apesar do pedido para que a AGU tomasse providências legais, o órgão não acatou a solicitação, sob o argumento de que esse fato poderia gerar nulidade nos processos e beneficiar os culpados.
A solução encontrada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, foi promover uma reunião com o ministro da Justiça, Wellington César, e André Mendonça. A ideia era apaziguar os ânimos e marcar um encontro entre Mendonça e Andrei Rodrigues. A agenda, porém, nunca prosperou, e a crise atingiu seu ápice com o fim do sigilo das mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes imposto por Mendonça.
Com informações de O GLOBO/ BELA MEGALE
