Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

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A sessão desta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal deveria esclarecer se existem elementos para investigar Alexandre de Moraes a partir das mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em vez disso, o Brasil assistiu a um confronto sem precedentes entre integrantes da própria Corte.

Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e, principalmente, Flávio Dino direcionaram fortes críticas contra André Mendonça. Em determinados momentos, a discussão parecia ter deixado o campo jurídico para entrar definitivamente na arena político-eleitoral.

Houve acusações, interrupções, bate-boca e tentativas de colocar Mendonça no banco dos réus. Gilmar Mendes chegou a acusá-lo de interferir nas eleições, enquanto o ministro respondeu classificando a declaração como “leviana”. Flávio Dino, por sua vez, pediu vista e suspendeu a votação que discutia a condução dos casos envolvendo Moraes e Mendonça. UOL⁠, Folha de S.Paulo⁠

Para uma parcela expressiva da população, a imagem transmitida não foi a de um tribunal examinando serenamente fatos graves. Foi a de um grupo unido para proteger Moraes e, ao mesmo tempo, atacar o ministro que levou o assunto ao plenário.

Politicamente, o efeito pode ser devastador para Lula.

Flávio Dino é um ex-ministro da Justiça do governo petista e uma das figuras mais identificadas com o campo político do presidente. Zanin foi advogado pessoal de Lula antes de ser indicado por ele ao Supremo. Mesmo Gilmar Mendes e Moraes, embora não tenham sido nomeados pelo petista, são vistos por grande parte do eleitorado de direita como integrantes de uma frente institucional contrária ao bolsonarismo.

Quando os quatro aparecem unidos contra André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, milhões de eleitores não enxergam apenas uma divergência jurídica. Enxergam uma disputa entre dois projetos políticos.

Flávio Bolsonaro compreendeu imediatamente o presente que recebeu. Em seu programa eleitoral, transformou a crise do Supremo em material de campanha, apresentou-se como adversário do sistema e explorou as imagens da tumultuada sessão. O candidato utilizou formato semelhante ao de um pronunciamento oficial para falar diretamente ao país sobre o episódio. Folha de S.Paulo⁠

A estratégia é simples e eleitoralmente poderosa: enquanto Lula tenta manter distância da crise, Flávio se apresenta como o candidato disposto a enfrentar aquilo que seus apoiadores consideram abuso de poder e corporativismo dentro do STF.

O quarteto tentou enfraquecer André Mendonça, mas pode ter conseguido exatamente o contrário. Transformou o ministro em símbolo de resistência e ofereceu a Flávio Bolsonaro um adversário claramente identificável.

Ainda é prematuro afirmar que a eleição está decidida. Campanhas mudam, fatos novos surgem e somente as próximas pesquisas poderão dimensionar o impacto real da sessão. Mas uma coisa parece evidente: Moraes, Zanin, Gilmar e Dino deram a Flávio Bolsonaro as imagens, o discurso e o combustível emocional de que sua candidatura precisava.

Se Flávio crescer e vencer a eleição explorando a crise do Supremo, poderá agradecer publicamente aos seus adversários. O quarteto pró-Lula tentou proteger Moraes, mas pode ter entregado o Palácio do Planalto, de mão beijada, a Flávio Bolsonaro.

Fonte: Terra Brasil

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