
foto: Brendan SMIALOWSKI/AFP/JC
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas restrições de viagem contra autoridades sul-africanas que Washington acusa de promover ou aplicar políticas discriminatórias contra brancos e outros grupos minoritários.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que os EUA poderão revogar vistos já concedidos ou rejeitar novos pedidos de estrangeiros considerados responsáveis ou cúmplices pela criação e aplicação de leis e políticas relacionadas à desapropriação de terras sem compensação, discriminação racial e incitação à violência contra minorias étnicas e raciais.
“Os Estados Unidos não permitirão que esse tipo de conduta passe sem resposta”, declarou Rubio. Segundo ele, essas práticas prejudicariam a paz, a estabilidade econômica e o Estado de Direito.
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África do Sul rejeita acusações
O governo sul-africano rejeitou as acusações e afirmou que as alegações feitas pelo governo Trump desde seu retorno ao poder são infundadas e baseadas em desinformação.
Rubio não informou quais autoridades poderão ser atingidas pelas medidas. Um grupo de lobby formado por integrantes da minoria branca já havia defendido sanções contra membros do Congresso Nacional Africano (ANC), partido do presidente Cyril Ramaphosa e maior bancada do Parlamento.
A Casa Branca cita como exemplos do que classifica como uma postura “anti-branca” uma lei sul-africana que permite, em determinadas circunstâncias, a expropriação de terras privadas sem indenização, além de políticas de ação afirmativa voltadas à ampliação de oportunidades para negros e outros grupos e casos de violência contra fazendeiros brancos.
Divergências sobre Israel
O governo Trump também criticou a África do Sul por levar à principal corte da Organização das Nações Unidas (ONU) uma acusação de genocídio contra Israel relacionada à guerra em Gaza. Israel rejeita a acusação.
Nesta quarta-feira, o chanceler sul-africano Ronald Lamola afirmou que as políticas internas criticadas pelos Estados Unidos têm como objetivo corrigir desigualdades herdadas do apartheid e de séculos de colonialismo, período em que a população negra foi privada de direitos.
Lamola pediu respeito à soberania da África do Sul e afirmou que divergências entre os governos não deveriam resultar em imposições externas.
Outras medidas
Segundo a AP, as restrições de visto se somam a outras medidas adotadas pelos Estados Unidos durante o segundo mandato de Trump. Entre elas estão a restrição à participação de autoridades sul-africanas em reuniões do G20 realizadas em território americano e a redução gradual da ajuda a programas de tratamento de HIV.
Washington também criou um programa de refugiados destinado a afrikaners e outros brancos, sob a justificativa de que seriam vítimas de uma emergência humanitária. A afirmação é contestada pelo governo sul-africano.
Autoridades americanas indicaram ainda que novas sanções poderão ser anunciadas.
Com informações de Band
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Fonte: Terra Brasil
