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As Testemunhas de Jeová anunciaram uma mudança na orientação religiosa sobre o uso médico de sangue. A partir de agora, os fiéis poderão decidir individualmente, de acordo com a própria consciência, se aceitam receber os quatro principais componentes do sangue em tratamentos médicos e cirúrgicos: plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos.
A nova orientação foi anunciada na sexta-feira (18) por representantes da organização. Segundo Geoffrey W. Jackson, integrante do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, cada cristão deverá tomar sua própria decisão sobre o uso desses componentes.
A organização, porém, mantém a proibição relacionada à transfusão de sangue total. A nova orientação também estabelece que os integrantes podem decidir individualmente se desejam doar sangue para que seus componentes sejam utilizados no tratamento de outras pessoas.
“Cada cristão deve tomar sua própria decisão pessoal sobre o uso desses quatro componentes primários em todos os tratamentos médicos e cirúrgicos”, afirmou Jackson.
A mudança representa uma flexibilização da política tradicional da religião sobre o sangue. Em março deste ano, as Testemunhas de Jeová já haviam anunciado outra alteração, permitindo que os fiéis armazenassem o próprio sangue para utilização em tratamentos futuros. Nesse caso, o sangue armazenado não pode ser destinado a outra pessoa.
Como os componentes do sangue são utilizados
Os quatro componentes podem ser separados e empregados em diferentes situações médicas.
O plasma é a parte líquida do sangue e pode ser utilizado em tratamentos de pacientes que sofreram traumas ou que apresentam determinadas doenças. Os glóbulos vermelhos têm entre suas principais aplicações o tratamento de quadros de anemia. As plaquetas podem ser utilizadas em pacientes com câncer e outras condições que afetam a coagulação. Já os glóbulos brancos têm funções relacionadas ao sistema imunológico e podem estar envolvidos em tratamentos específicos.
A nova orientação não determina que os fiéis aceitem esses componentes. A decisão passa a ser individual.
Paul Gillies, porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, afirmou que os integrantes devem refletir sobre a questão a partir de suas convicções religiosas.
“O que estamos dizendo é que você precisa orar sobre isso, precisa estudar, precisa ver o que a Bíblia diz a respeito, porque, na Bíblia, o sangue representa a vida”, declarou.
Por que a religião rejeita transfusões de sangue?
A posição das Testemunhas de Jeová sobre transfusões está relacionada à interpretação de passagens bíblicas que orientam os fiéis a “abster-se” de sangue.
A organização entende que essa orientação também se aplica ao uso médico do sangue. Essa interpretação diferencia as Testemunhas de Jeová de outras tradições religiosas que não aplicam essas passagens bíblicas da mesma maneira aos procedimentos médicos.
A recusa de transfusões de sangue é uma das características mais conhecidas da religião e há décadas provoca debates na área médica e entre especialistas em direitos dos pacientes. Críticos, incluindo ex-integrantes, afirmam que a política já esteve associada a mortes que poderiam ter sido evitadas. As Testemunhas de Jeová, por sua vez, defendem que sua posição religiosa não significa recusa de tratamento médico e incentivam alternativas terapêuticas sem transfusão de sangue.
Fundada nos Estados Unidos no século 19, a organização possui crenças próprias sobre temas como a natureza de Jesus, a interpretação da Bíblia e profecias religiosas. Segundo dados divulgados pelas próprias Testemunhas de Jeová, a organização reunia cerca de 9,2 milhões de integrantes em mais de 200 países e territórios em 2025, sendo aproximadamente 1,3 milhão nos Estados Unidos.
A nova orientação mantém a proibição ao sangue total, mas transfere aos próprios fiéis a decisão sobre aceitar ou não plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos em procedimentos médicos.
