Preço do carro novo funciona como um teto ao seminovo. Yau Ming Low/GettyImages.

A compra e venda de veículos seminovos e usados no mercado brasileiro passa por uma reestruturação em suas métricas de precificação. O avanço das montadoras chinesas, focado na oferta de elétricos e híbridos, alterou a dinâmica dos showrooms de zero-km e passou a exercer pressão sobre as tabelas de revenda.

O movimento reflete-se diretamente nos relatórios de emplacamento. Em agosto de 2026, fabricantes de origem chinesa ocuparam sete das dez primeiras posições no ranking de SUVs médios no Brasil. O GWM Haval H6 assumiu a liderança da categoria, superando o Jeep Compass, acompanhado por volumes de vendas de BYD, Caoa Chery, Geely e Omoda & Jaecoo.

Levantamento do Jornal do Carro indica que a maior competitividade na ponta dos veículos novos exige adequação nos valores pedidos por proprietários de modelos de segunda mão.

Quando uma montadora reduz a tabela de um modelo zero-km ou lança um concorrente mais equipado na mesma faixa de preço, o valor do carro novo passa a atuar como teto para o mercado de seminovos.

O impacto da tecnologia chinesa no preço dos seminovos

Historicamente, a avaliação de um seminovo no Brasil baseava-se na reputação da marca, cilindrada do motor e porte do veículo. A estratégia das novas fabricantes introduziu o volume de equipamentos como variável primária de comparação.

Recursos como assistentes de condução autônoma de Nível 2 (Adas), câmeras com visão 360 graus e arquiteturas elétricas chegam ao mercado em faixas de preço antes restritas a veículos a combustão com lista de equipamentos enxuta.

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Esse cenário exige que proprietários de modelos tradicionais ajustem suas margens de venda. Caso um veículo de segunda mão custe valor equivalente ao de um modelo novo dotado de maior pacote tecnológico, a negociação exige abatimento no preço final para viabilizar a venda.

Os segmentos de maior valor agregado concentram as maiores variações de preço. Um utilitário esportivo comprado por R$ 200 mil no mercado de novos passa a concorrer, no momento da revenda, com lançamentos de valor similar que entregam motores híbridos e maior nível de conectividade.

A depreciação, contudo, não ocorre de forma uniforme. Veículos de massa com histórico de manutenção simples e alta liquidez mantêm curvas de desvalorização dentro da média histórica.

Carros elétricos lideram índices de depreciação

Entre as motorizações disponíveis, os veículos 100% elétricos (BEV) registram os maiores percentuais de perda de valor no mercado secundário.

Um levantamento recente do banco BV apontou que elétricos vendidos como novos em 2022 perderam, em média, 50,1% do valor até agosto de 2026. No mesmo período, a perda média foi de 14,07% para carros a combustão e 22,59% para híbridos.

A variação nos elétricos é explicada pelo ritmo de atualização da tecnologia de baterias, pelo aumento da autonomia por carga nos lançamentos recentes e pelas reduções de preço promovidas pelas próprias montadoras nas redes de concessionárias.

Carros elétricos têm o comportamento de preços mais imprevisível do mercado de seminovos. Foto: Pixabay.
A trajetória dos híbridos no mercado de usados

Os automóveis híbridos apresentam retração de valor inferior à dos elétricos puros. Por não dependerem exclusivamente da infraestrutura de carregamento externo, o motor a combustão garante liquidez em regiões sem densidade de eletropostos.

A expansão de projetos de híbridos flex fabricados no Brasil — linha adotada por Volkswagen, Stellantis e pelas próprias fabricantes chinesas com plantas locais — amplia a oferta de peças de reposição e tende a estabilizar a curva de depreciação dessa categoria.

Fortalecimento de rede reduz rejeição aos usados chineses

A consolidação de operações industriais e o aumento do número de concessionárias de marcas como BYD e GWM no território nacional alteram a percepção de risco na compra de um chinês de segunda mão.

A expansão do atendimento técnico e a maior oferta de peças no mercado de reposição amenizam o receio quanto à manutenção preventiva e ao valor de revenda. Modelos que acumulam alto volume de vendas tendem a construir um mercado secundário com liquidez regular.
Com informações de Estadão

Fonte: Diário Do Brasil

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