
Estela Aranha atuou no Ministério da Justiça até o início do ano • Arquivo – Reprodução/Instagram
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por proibir a TV Globo de exibir o púlpito vazio reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate presidencial de 1º de outubro, já integrou o governo federal durante a gestão de Flávio Dino no Ministério da Justiça.
A decisão de Estela foi tomada após um pedido da coligação de Lula. A ministra também determinou que os demais candidatos não fizessem perguntas direcionadas ao presidente, que havia anunciado que não participaria do debate. Segundo ela, a exibição destacada do espaço vazio poderia produzir efeitos que ultrapassariam a simples informação sobre a ausência do candidato.
Antes de chegar ao TSE, Estela Aranha ocupou o cargo de secretária nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante o período em que a pasta era comandada por Flávio Dino, no início do governo Lula. Ela também teve passagem pela Presidência da República e atuou em temas relacionados à inteligência artificial e relações internacionais.
Estela foi nomeada para o TSE em agosto de 2025, para uma das vagas destinadas à classe dos juristas, após integrar a lista tríplice encaminhada ao presidente Lula. De acordo com informações publicadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Dino teria atuado nos bastidores em favor de sua indicação. A publicação também afirma que Estela contou, naquele processo, com o apoio do então presidente do PT, Edinho Silva.
A decisão sobre o debate ocorreu poucas horas antes do programa, que acabou cancelado depois que Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar e Lula já havia confirmado sua ausência. A Globo informou que decisões judiciais de última hora provocaram insegurança jurídica e inviabilizaram a realização do encontro.
A relação profissional anterior entre Estela e Dino, porém, por si só não demonstra que a decisão da ministra tenha sido motivada por essa proximidade. A fundamentação apresentada por ela na decisão foi relacionada às regras do debate e aos possíveis efeitos da exposição do púlpito vazio sobre o candidato ausente.
Fonte: Terra Brasil
