
Painel mostra variações do Ibovespa, principal índice da B3 (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)
A reação do mercado ao primeiro turno das eleições brasileiras veio acompanhada de uma forte entrada de dinheiro estrangeiro na Bolsa. Investidores de fora do país aportaram 10,6 bilhões de reais na B3 na segunda-feira, 5, primeiro pregão após a votação, segundo dados da própria Bolsa.
O volume chama atenção por ter ocorrido em apenas uma sessão e ajuda a explicar a intensidade do movimento observado nos ativos brasileiros no início da semana. Na segunda-feira, o Ibovespa disparou 7,7% e encerrou o pregão aos 206.911 pontos, enquanto o dólar caiu 4,11% e terminou próximo de 5 reais.
Com o aporte, o saldo de capital estrangeiro na Bolsa chegou a 12,6 bilhões de reais nos primeiros dias de outubro. O fluxo comprador também continuou sendo apontado por agentes do mercado como um dos fatores de sustentação das ações brasileiras mesmo após a euforia inicial diminuir. O movimento ocorreu após o primeiro turno da eleição presidencial, no qual Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 45,16%. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.
Entre investidores, a reação dos ativos foi associada principalmente à expectativa de uma possível mudança na condução da política econômica e, especialmente, das contas públicas. Uma trajetória de dívida considerada mais controlada tende a reduzir a percepção de risco dos ativos brasileiros e pode abrir espaço para juros mais baixos, cenário que costuma beneficiar empresas listadas na Bolsa.
Bolsa desacelera após disparada
Depois da forte alta de segunda-feira, o mercado passou a devolver uma parcela dos ganhos. Na terça-feira, 6, o Ibovespa recuou 0,52%, aos 205.835 pontos, em um movimento de realização de lucros. Ainda assim, o giro financeiro permaneceu elevado, em cerca de 43 bilhões de reais.
Mesmo com a correção, o desempenho acumulado continuava expressivo. Nos quatro primeiros pregões de outubro, o Ibovespa acumulava valorização de 10,46%. Desde o início do ano, a alta chegava a 27,75%. A entrada de estrangeiros ganha importância justamente nesse contexto. Esse grupo tem peso relevante na negociação de ações brasileiras e um aumento do fluxo para o país pode ampliar a demanda pelos papéis negociados na B3.
Nesta quarta-feira, 7, o ambiente externo voltou a pesar. Por volta das 12h45, o Ibovespa recuava 0,49%, enquanto o dólar avançava 0,40%. A alta dos juros americanos aumentava a cautela nos mercados internacionais, mas o fluxo comprador estrangeiro continuava oferecendo suporte aos ativos locais, segundo agentes do mercado.
Segundo turno entra no radar
A continuidade desse movimento dependerá agora das próximas sinalizações da campanha e, principalmente, das propostas econômicas apresentadas pelos candidatos. O resultado do primeiro turno provocou uma rápida reprecificação dos ativos brasileiros, mas investidores ainda buscam informações mais concretas sobre temas como trajetória da dívida pública, controle de gastos e política fiscal. A composição do Congresso também entrou nessa conta, por influenciar a capacidade do próximo governo de aprovar sua agenda econômica.
Com informações de VEJA
