
Foto: Molly Riley/Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou nesta segunda-feira (2) do último ato de campanha republicana antes das eleições legislativas de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3). Durante o discurso em Washington, ele pediu votos contra os candidatos democratas e afirmou que pretende vetar propostas da oposição caso seu partido não consiga manter o controle do Congresso.
As projeções eleitorais apontam vantagem democrata na disputa pela Câmara dos Representantes e uma possibilidade de mudança na composição do Senado. Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, também divulgada na segunda-feira, Trump declarou: “Se não ganharmos, vetarei tudo”.
Segundo o presidente, os democratas acabariam procurando o governo para negociar e provavelmente chegariam a acordos.
Trump ataca democratas em discurso em Washington
O ato ocorreu junto ao espelho-d’água do Monumento a Lincoln. Trump classificou as eleições como “as mais importantes de nossa vida” e afirmou que os democratas apresentam os candidatos mais radicais da história dos Estados Unidos.
Durante a fala, o presidente mencionou supostos vínculos de adversários políticos com “jihadistas e membros da Irmandade Muçulmana”. A acusação já havia sido direcionada a Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan. Caso seja eleito, El-Sayed será o primeiro senador muçulmano do país.
Trump também comentou a reforma do espelho-d’água, local associado ao discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, em 1963. A obra foi anunciada pelo presidente em abril.
O Departamento do Interior contratou, sem licitação, a empresa Atlantic Industrial Coatings por US$ 6,9 milhões. Posteriormente, foram acrescentados outros US$ 6,2 milhões ao contrato. Registros federais apontam custo total de US$ 14,7 milhões, acima dos US$ 1,8 milhão inicialmente informados.
Em junho, o revestimento azul começou a se soltar e a água apresentou algas. Trump atribuiu os danos a atos de vandalismo, mas não apresentou provas. Ele afirmou que parte da água será drenada para permitir o reparo do fundo e brincou sobre a possibilidade de dar seu próprio nome ao local.
Presidente faz declarações sobre economia e política externa
Na área econômica, Trump afirmou que os Estados Unidos crescem “como nunca antes” e declarou que o preço do petróleo havia caído US$ 10 naquela segunda-feira.
O presidente também disse que os americanos vencem “facilmente” a guerra contra o Irã e que venceram a da Venezuela em um dia. Sobre a Groenlândia, declarou: “Também temos a Groenlândia agora”.
A afirmação, porém, não corresponde a uma mudança de soberania. Em 22 de setembro, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia assinaram um acordo que amplia a presença militar americana na ilha, que permanece sob soberania dinamarquesa.
Projeções apontam vantagem democrata
Segundo a Decision Desk HQ, a probabilidade de vitória democrata na Câmara dos Representantes era de 84%, cinco pontos percentuais acima da estimativa registrada uma semana antes. A projeção indicava 241 cadeiras para os democratas e 194 para os republicanos.
No Senado, os republicanos ocupam atualmente 53 das 100 cadeiras. A empresa estimava em 65% a possibilidade de os democratas conquistarem a maioria, oito pontos acima da previsão de sete dias antes. A projeção apontava uma composição de 52 cadeiras para os democratas e 48 para os republicanos.
Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras líquidas. Isso porque o vice-presidente JD Vance tem o voto de desempate no Senado, favorecendo os republicanos em uma divisão de 50 a 50.
Departamento de Justiça pede denúncias de irregularidades
Às vésperas da votação, o secretário de Justiça, Todd Blanche, pediu que eleitores denunciem possíveis irregularidades no processo eleitoral.
Em publicação na rede social X, ele citou práticas como voto de não cidadãos, votação dupla e preenchimento irregular de urnas. “O Departamento de Justiça espera que todas as leis eleitorais federais sejam cumpridas. Os infratores serão encontrados e processados”, escreveu.
A manifestação ocorre em meio à ofensiva do governo Trump contra supostos casos de participação de eleitores estrangeiros na Califórnia. Iniciativas relacionadas a essa atuação já foram barradas por quatro tribunais federais.
Fonte; O Antagonista
