Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein

Apesar de rara, a chance de uma grávida com Covid-19 infectar o bebê existe e a chamada transmissão vertical (da mãe para o bebê) está diretamente ligada à gravidade da doença. Isso é o que acaba de revelar uma grande revisão de estudos recém-publicada no periódico científico The British Medical Journal, que avaliou dados de quase 30 mil gestantes e mais de 18 mil bebês ao longo de quase dois anos. Os autores analisaram resultados de 472 trabalhos que envolviam grávidas ou aquelas que acabaram de dar à luz, incluindo as que sofreram abortos, e constaram que apenas 1,8% desses bebês testaram positivo para o vírus SARS-CoV-2 entre dezembro de 2019 e agosto de 2021. Eles também conseguiram avaliar em que momento aconteceu a transmissão – se ainda no útero, durante o parto ou no período imediatamente ao nascer.
A gravidade da doença, incluindo casos de morte materna, necessidade de internação em UTI e infecção após o parto, foram fatores determinantes para a contaminação do bebê. “A severidade do quadro materno, que às vezes exige procedimentos como diálise e intubação, aumenta a chance de transmissão”, explica o ginecologista e obstetra Mariano Tamura, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Embora o vírus tenha sido detectado em fluidos corporais, não é possível afirmar que a contaminação aconteceu por ali, já que sabe-se que a transmissão da doença ocorre por via respiratória. “Somente nos casos de infecção ainda no útero podemos afirmar que se deu através do sangue”, esclarece Tamura.

Importância da vacinação
O estudo reforça a importância de as grávidas se vacinarem para evitar os quadros graves de Covid-19. Isso porque a própria gestação deixa a mulher mais suscetível a algumas doenças. Sabe-se, por exemplo, que o crescimento da barriga acaba impactando a capacidade respiratória, já que o diafragma tem menos espaço para se expandir, além de haver um inchaço natural das vias respiratórias.
Para evitar hemorragias no pós-parto, há alterações normais da coagulação do sangue que aumentam o risco de trombose. E as gestantes também têm uma certa queda na imunidade. “Ela pode e deve se vacinar desde o início da gravidez. Assim afasta a chance de complicações para ela e para o bebê”, enfatiza Tamura.
E com um bônus extra: há alguns indícios de que anticorpos induzidos pela vacina da mãe estariam presentes no leite materno – o que daria uma proteção extra ao bebê que acaba de nascer e não pode receber o próprio imunizante. Mesmo que esse dado ainda não tenha sido corroborado pela ciência, pode ser um motivo a mais para buscar essa proteção.

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Pesquisadores avaliaram dados de quase 30 mil mulheres e mais de 18 mil bebês ao longo de quase dois anos