
REPRODUÇÃO
A delação premiada de Daniel Vorcaro, no caso das investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito das supostas fraudes cometidas pelo Banco Master, do qual é dono, colocou o ministro Alexandre de Moraes nas mãos de seu maior adversário dentro da Corte, o ministro André Mendonça.
Caberá a Mendonça decidir se Moraes será ou não citado na delação. Isso porque o delator não pode escolher sobre quais assuntos quer ou não falar. Ele simplesmente perde o benefício do acordo de delação se esconder ou falsear a resposta sobre qualquer uma das perguntas feitas durante o interrogatório.
Relator do inquérito, o ministro André Mendonça é quem decidirá, por exemplo, se pergunta ou não sobre o nível de envolvimento de Moraes e sua mulher, Viviane Barci, com Vorcaro.
O escritório da mulher de Moraes foi contratado pelo Banco Master com honorários fixados em pouco mais de R$ 3,6 milhões por mês durante 36 meses, o que resultaria em um total de cerca de R$ 130 milhões ao final da prestação de serviços.
Vorcaro tem dito a interlocutores que não tem “o menor interesse” em citar ministros do STF em sua delação. Há pelo menos outros dois ministros com os quais o Banco Master mantém relações diretas ou indiretas: Dias Toffoli e Nunes Marques.
Toffoli é um dos sócios do resort Tayayá, localizado no Paraná, que foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao Master e investigado pela Polícia Federal.
O caso de Nunes Marques envolve seu filho, Kelvin Marques. Uma consultoria tributária de Teresina (PI) que prestou serviços para o Banco Master teria subcontratado o filho do ministro, pagando R$ 281,6 mil em 11 transferências, segundo a Folha de S.Paulo.
Mas é com Alexandre de Moraes que o ministro André Mendonça mantém uma relação mais ruidosa. Os dois chegaram a bater boca em sessões da Corte, inclusive no julgamento da invasão das sedes dos Três Poderes pela tentativa de golpe de Estado do dia 8 de janeiro de 2023.
Na última sexta-feira, 20, em palestra na Ordem dos Advogados do Brasil, Mendonça voltou à carga e disse que não é papel dos juízes quererem “ser estrela”.
O pronunciamento de Mendonça deixou seus colegas de Corte preocupados. Foi lido como um recado a Moraes de que ele não será poupado pelo colega no interrogatório de Vorcaro. Se Mendonça fizer perguntas sobre Moraes e sua mulher, Vorcaro terá que abrir o jogo.
O dono do Banco Master foi transferido do presídio da Papuda, em Brasília, para a sede da Polícia Federal, no mesmo ambiente em que ficou por um tempo o ex-presidente Jair Bolsonaro e que é muito mais confortável do que o presídio.
Esse tipo de gesto do relator é bastante comum no ritual de relacionamento com candidatos à delação premiada: são oferecidas condições melhores de alojamento e de tratamento em geral, mas, caso o delator não se comporte como quer o comandante do inquérito, ele perde as benesses.
O clima está tão tenso entre os ministros que o decano da Corte, Gilmar Mendes, chegou a chorar em um pronunciamento recente em homenagem ao colega Alexandre de Moraes. Mas André Mendonça tem reagido com absoluta frieza.
Com informações de VERO NOTICIAS
Fonte: Diário Do Brasil
