(Imagem: vectorfusionart/Shutterstock)

“Químicos eternos” têm esse apelido por não se degradarem, mas cientistas acharam um caminho (bem eficaz, diga-se) de decompô-los

Os compostos perfluoroalquil e polifluoroalquil (PFAS) são substâncias conhecidas como “químicos eternos”. O apelido vem porque eles não se degradam – ou seja, ficam no meio ambiente “para sempre”. Mas especialistas em química desenvolveram, no Japão, um método para decompor algumas dessas substâncias.

A técnica criada pelos pesquisadores decompôs completamente certos tipos desses compostos – considerados tóxicos – ao longo de uma noite. E até recuperou alguns componentes a ponto de eles poderem ser reutilizados.

Pesquisadores usam LED para decompor produtos químicos ‘eternos’
Para desenvolverem o novo método para decompor PFAS, cientistas da Universidade Ritsumeikan usaram o seguinte:

  • Água;
  • Cristais nanométricos de semicondutores de sulfeto de cádmio (CdS), alguns dos quais dopados em cobre;
  • Um composto chamado trietanolamina (TEOA).
Cientistas usaram água, nanocristais e composto TEOA para decompor “químicos eternos” sob LED (Imagem: CardIrin/Shutterstock)

Quando a solução é exposta a luzes LED em comprimentos de onda de 405 nm, moléculas de PFAS grudam na superfície dos nanocristais. Em paralelo, gera-se elétrons até eles removerem íons de flúor das moléculas de PFAS – o que quebra ligações robustas.

Nos testes, esse método decompôs 100% de um produto químico “eterno” chamado perfluorooctanossulfonato em oito horas. Outro, chamado Nafion, foi decomposto em 81% em 24 horas. Isso foi alcançado a 38 °C – bem menos que os 400 °C normalmente necessários.

Além disso, a técnica recuperou os íons de flúor que poderiam ser reutilizados para outras aplicações industriais.

É importante ressaltar que os pesquisadores não criaram “O Caminho” para decompor produtos químicos “eternos”. Já existiam outros (com partículas magnéticas, hidrogênio ou nitreto de boro, por exemplo).

Portanto, o método em questão – publicado na revista Angewandte Chemie International Edition e divulgado pela Universidade Ritsumeikan – entra nesta lista.

Importância da decomposição dos produtos químicos ‘eternos’

Decompor “químicos eternos” pode ajudar tanto meio ambiente quanto saúde pública (Imagem: Anusorn Nakdee/Shutterstock)

Ter caminhos para decompor os PFAS ajuda na redução significativa da quantidade dessas substâncias no meio ambiente, o que diminui o risco de contaminação de solos, águas e alimentos.

Além disso, ao reduzir a exposição humana aos “químicos eternos”, a decomposição dessas substâncias contribui para a prevenção de doenças e a melhoria da saúde pública.

Para você ter ideia, os PFAS estão associados a uma série de problemas de saúde, incluindo câncer, problemas de tireoide, distúrbios imunes e problemas de desenvolvimento em crianças.

Por Pedro Spadoni do Olhar Digital

Compartilhar matéria no
No momento, você está visualizando Existe um jeito de fazer produtos químicos ‘eternos’ (e tóxicos) sumirem
(Imagem: vectorfusionart/Shutterstock)