Foto: Arte/Extra

Quando a temperatura sobe, a vontade de ligar o ar-condicionado é imediata. E pensar no impacto na conta de luz acaba ficando para o fim do mês. Saber quanto custa, em média, o consumo de diferentes modelos e de um ventilador, no entanto, pode ajudar a equilibrar o gasto de energia e a organizar o orçamento doméstico. Por isso, a pedido do EXTRA, Rodrigo Gualberto, mestre em Engenharia Elétrica e professor da Universidade Veiga de Almeida (UVA), fez simulações da despesa com o uso dos aparelhos neste verão.
Quando está calor, as famílias podem ligar o ventilador ou o ar-condicionado. Com certeza o ar-condicionado é o que consome mais energia. Então, as pessoas podem mediar isso, vendo o que cabe no orçamento — aponta Gualberto.

Um ar-condicionado de 12 mil BTUs ligado durante oito horas por dia pode impactar a conta de luz em R$ 224,37 ao longo de um mês. Um modelo inverter é bem mais eficiente e, com o mesmo tempo de uso, custa R$ 132,58 ao mês. O uso do ventilador de mesa comum, que tem potência bem menor, custa R$ 30,59, em média, após 30 dias. Os valores levam em consideração a tarifa da Light de dezembro passado no município do Rio.

Nas ondas de calor que visitam os cariocas nesta estação, porém, os aparelhos ficam ligados mais tempo em muitas residências. Ao lado, é possível conferir os cálculos de gastos para 24 horas de uso por dia — claro que dificilmente alguém utilizará tanto o aparelho, mas é bom ter ideia de quanto seria o consumo máximo para equilibrar o tempo efetivo.

Além dos modelos de aparelhos, há cuidados e hábitos que podem influenciar no consumo de energia. Por isso, Gualberto e Sergio Fabio do Carmo, instrutor dos cursos de Refrigeração e Climatização do Senai Vicente de Carvalho, dão dicas importantes:

— A própria pessoa pode executar a limpeza do filtro do ar-condicionado a cada 15 dias. É importante não só para a economia, mas para a saúde. E a manutenção profissional é recomendada de seis em seis meses. Do contrário, com o sistema do ar-condicionado sujo, ele perde a eficiência e consome mais energia para chegar à temperatura desejada — alerta Carmo.

Veja mais simulações

A tarifa adotada como referência foi de R$0,84989 para cada kWh consumido. Referência de dezembro de 2025 da concessionária Light do município do Rio de Janeiro, em bandeira verde.

  • Um ar-condicionado de 12 mil BTUs ligado durante 24 horas por dia pode impactar a conta de luz em R$ 673,11 ao longo de um mês.
  • Um modelo inverter é bem mais eficiente e, com o mesmo tempo de uso, custa R$ 397,74 ao mês.
  • O uso do ventilador de mesa comum, que tem potência bem menor, custa R$ 91,78, em média, após 30 dias.

Conheça os aparelhos

  • Ar-condicionado comum (Janela/Split On-Off) – Aparelhos convencionais operam ligando e desligando o compressor totalmente. A potência média estimada para um modelo de 12 mil BTUs não-inverter é de aproximadamente 1.100W.
  • Ar-condicionado modelo Inverter – A tecnologia Inverter ajusta a velocidade do compressor conforme a necessidade, evitando picos de energia. Em média, esses aparelhos são 40% a 60% mais eficientes. Para 12.000 BTUs, a potência média efetiva sob uso contínuo cai para cerca de 600W a 700W após atingir a temperatura. Foi usada nos cálculos a média de 650W.
  • Ventilador de mesa comum – Foi considerada a potência de 150W.

Como escolher um ar-condicionado

Quem precisa comprar um ar-condicionado deve utilizar as informações técnicas de maneira estratégica, diz Leonardo Ricardo Alves Sarro, engenheiro civil e professor da Estácio:

— Na escolha de um ar-condicionado, o principal ponto é verificar se o equipamento tem a potência adequada para o tamanho do ambiente, se conta com boa classificação de eficiência energética (Selo Procel/Inmetro) e se utiliza a tecnologia inverter, que ajusta automaticamente a potência conforme a necessidade e ajuda a economizar de 30% a 50% de energia.

No mês passado, a aposentada Lucia Branco Tondo, de 67 anos, comprou dois aparelhos com a tecnologia inverter, após receber a dica de um técnico.

O meu ar-condicionado pifou por causa da maresia de onde moro e chamei um técnico para consertar. Mas ele disse que estava todo enferrujado e eu precisaria comprar um novo, sugerindo um inverter de parede, que eu nem sabia que existia. Ele me falou que o modelo economiza muita energia, eu pesquisei e vi que era isso mesmo. Saiu R$ 1 mil mais caro do que um modelo comum, mas em pouco tempo deve se pagar — aposta Lucia.

Mesmo com a expectativa de redução da cobrança, Lucia não pretende mudar os hábitos em casa, a fim de economizar. Ar-condicionado ligado, na casa dela, apenas para dormir.

Bom funcionamento e economia

  • Ar-Condicionado (Comum e Inverter) – Para definir qual aparelho de ar-condicionado comprar, o selo de consumo do Procel deve ser observado, sendo A o mais eficiente, porque consome menos. Também é preciso ter atenção aos BTUs, unidade que indica a capacidade de refrigeração do equipamento. Se for menor que o necessário, o aparelho não resfria direito e fica ligado o tempo todo. Se for maior, ele liga e desliga com frequência. Nos dois casos, há desperdício de energia. Em média, são necessários 600 BTUs por metro quadrado do cômodo. Mas a quantidade de pessoas nele, a incidência do sol e os equipamentos que gerem calor alteram essa proporção. Os fabricantes e o Inmetro oferecem calculadoras on-line que facilitam bastante esse dimensionamento.

Temperatura de ouro (23°C): evite configurar o aparelho em 16°C ou 17°C, porque o compressor trabalhará no máximo sem interrupções. Manter em 23°C ou 24°C é o ideal para o conforto térmico e para que o motor (especialmente o inverter) reduza a rotação e economize.

Portas e janelas vedadas: Qualquer fresta permite a troca de calor. Verifique as vedações de borracha e use “cobrinhas” de areia na base das portas para manter o ar frio lá dentro.

Higienização periódica: Recomenda-se a limpeza profissional a cada seis meses, dependendo do uso e da região. O ideal é realizá-la durante o inverno, evitando contratempos no verão, como dificuldade de atendimento imediato, devido à alta demanda, e maior custo, já que os serviços e as peças ficam mais caros.

Limpeza de filtros: Filtros sujos impedem a passagem do ar, forçando o motor a trabalhar muito mais para resfriar a mesma área. A cada 15 dias, é recomendável passar um pincel neles para retirar a poeira seca. Use máscara neste momento. Se for usar água, o jato deve ser forte e estar no sentido oposto da entrada da poeira.

Barreira solar: O sol de fim de tarde pode ser intenso. Use cortinas blecaute ou persianas para impedir que o sol aqueça o ambiente, diminuindo a carga térmica sobre o aparelho. Mantenha portas e janelas sempre fechadas.

Função sleep (dormir): Use esta função à noite caso seu aparelho permita. Ela aumenta gradativamente a temperatura em 1°C ou 2°C durante a madrugada, acompanhando a queda da temperatura corporal e da externa.

  • Ventilador de Mesa – Consome menos energia, mas também exige cuidados para evitar o desperdício.

Efeito conjunto: Uma técnica excelente para economizar é usar o ar-condicionado para resfriar o quarto (por uma ou duas horas) e depois mantê-lo desligado, usando apenas o ventilador para circular o ar gelado que está no ambiente.

Direcionamento do fluxo do vento: Em vez de deixar o ventilador oscilando para o quarto vazio, direcione-o para onde você está. O vento direto evapora o suor da pele, dando uma sensação térmica de até 3°C a menos.

Higienização das pás: Pás com poeira acumulada perdem a aerodinâmica e pesam mais, exigindo mais esforço do motor (e mais gasto de energia) para girar na mesma velocidade.

com informações de EXTRA 

Fonte: Diário Do Brasil

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Você sabe quanto custa ligar o ar-condicionado em casa? EXTRA responde e dá dicas para economizar