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No mapa, onde deveria haver estrada, tem rio. Onde se espera asfalto, tem floresta. Manaus é assim: uma megacidade de mais de 2 milhões de pessoas que cresceu cercada de selva, sem rodovia que a conecte ao resto do Brasil.

Como assim não tem estrada?

Parece difícil de acreditar, mas a capital do Amazonas não possui ligação rodoviária funcional com o centro-sul do país. A BR-319, que deveria ligar Manaus a Porto Velho, tem um trecho de centenas de quilômetros sem asfalto. Na época das chuvas, a estrada simplesmente desaparece. A outra opção, a BR-174, vai para o norte, rumo a Boa Vista e à Venezuela.
Na prática, quem quer chegar a Manaus vem de avião ou de barco. E é exatamente essa condição que fez a cidade se reinventar. Isolada, ela precisou construir tudo dentro de si: universidades, hospitais, fábricas e uma cultura que mistura tradição indígena com herança europeia.
Uma ópera europeia no meio da selva

No final do século XIX, a borracha das seringueiras amazônicas valia ouro no mercado internacional. Com o dinheiro do látex, a elite manauara decidiu erguer um teatro à altura das grandes capitais europeias. O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896, com aço vindo da Escócia, mármore da Itália e uma cúpula de 36 mil peças de cerâmica importadas da França.

Tombado pelo IPHAN em 1966, o teatro segue em atividade e recebe cerca de 288 mil visitantes por ano. Até hoje, entrar no 

salão nobre e lembrar que a floresta está ali do lado de fora provoca um estranhamento bonito. Foi esse contraste que rendeu a Manaus o apelido de Paris dos Trópicos.
O que fazer na cidade cercada de floresta?

Manaus mistura passeios urbanos do tempo da borracha com imersões na natureza que começam a poucos minutos do centro. As principais atrações são acessíveis de barco.

Encontro das Águas: o Rio Negro (escuro) e o Rio Solimões (barrento) correm lado a lado sem se misturar por quilômetros. Um dos fenômenos naturais mais fotografados do Brasil.
Teatro Amazonas: visita guiada pelo salão nobre, camarotes e palco. Fica no Largo de São Sebastião, no centro histórico.
Arquipélago de Anavilhanas: mais de 400 ilhas no Rio Negro, com praias que aparecem na seca e trilhas em mata preservada.
Museu da Amazônia (MUSA): torre de 42 m acima das copas das árvores, com trilhas na floresta ao redor.
Praia da Ponta Negra: orla com quiosques à beira do Rio Negro, perfeita para o pôr do sol.
Quem planeja conhecer a Amazônia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 230 mil inscritos, onde Lígia e Ulisses mostram um roteiro completo de 4 dias por Manaus, incluindo o Teatro Amazonas, o MUSA e as cachoeiras de Presidente Figueiredo:

Quando ir para Manaus?

Faz calor o ano inteiro, com média de 27°C. O que muda é a chuva, e com ela o nível dos rios e o tipo de passeio disponível.

 Período da Seca

Junho – Novembro

26°C a 34°C

O nível dos rios baixa e revela faixas de areia lindíssimas. Aproveite as praias fluviais, o Arquipélago de Anavilhanas e o Festival de Parintins (junho). Evite passeios pesados sob o sol do meio-dia.

 Alta Temporada / Seca

 Período da Cheia

Dezembro – Maio

24°C a 31°C

O “Inverno Amazônico” transborda os rios e transforma a paisagem. É a janela exclusiva para fazer passeios de canoa na floresta alagada (Igapós). Evite procurar praias de areia, pois elas desaparecem sob as águas.

 Chuva Alta

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade sem estrada?

O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belém. O voo desde o Sudeste dura cerca de 4 horas. Quem prefere a aventura fluvial pode subir o Rio Amazonas de barco, partindo de Belém (cinco dias) ou Santarém (dois dias). Dentro da cidade, aplicativos de transporte funcionam normalmente e os passeios na floresta saem do porto.

Segundo o IBGE, Manaus tem 2.063.689 habitantes e é a sétima capital mais populosa do país. Toda essa gente fez a vida funcionar sem depender de estrada. O rio e o avião dão conta.
A floresta é o que torna Manaus única

Não existe outra metrópole no mundo com esse perfil: milhões de pessoas vivendo onde a selva começa na esquina e o rio substitui a rodovia. Manaus cresceu inventando seus próprios caminhos, e o resultado é uma cidade que não se parece com nenhuma outra.

Você precisa ver o Negro encontrar o Solimões, ouvir o silêncio da floresta a 20 minutos do centro e entender por que tanta gente escolheu ficar onde a estrada acaba e a Amazônia começa.
Com informações de O Antagonista

Fonte: Diário Do Brasil

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A megacidade construída no meio do nada: a maior floresta do planeta esconde uma metrópole com estrada para lugar nenhum