Itacaré nasceu da colonização jesuítica e preserva até hoje vestígios desse período em sua arquitetura. / Imagem Ilustrativa

No século XIX, o porto de Itacaré escoava toneladas de cacau para o mundo. Quando a praga da vassoura-de-bruxa dizimou as lavouras nos anos 1980, a vila baiana entrou em silêncio. Foi o isolamento que salvou a paisagem: a Mata Atlântica avançou de volta sobre os morros, as praias permaneceram selvagens e, quando o asfalto chegou em 1998, o litoral sul da Bahia revelou um dos destinos mais preservados do Brasil.

De aldeia indígena a paraíso do ecoturismo

A história de Itacaré remonta ao período em que o jesuíta Luís Grã ergueu uma capela dedicada a São Miguel junto à foz do Rio de Contas, sobre uma antiga aldeia de índios Pataxós. Em 1731, o povoado foi elevado a vila com o nome de São Miguel da Barra do Rio de Contas. Diz a lenda que navios piratas usavam o rio como esconderijo e que tesouros repousam em seus naufrágios.

Em 1932, a vila ganhou o nome atual. Segundo a Universidade Federal da Bahia, “Itacaré” significa “rio de ruído diferente” em tupi. A criação da APA Itacaré/Serra Grande em 1993 protegeu 62 mil hectares de floresta, falésias e praias, consolidando o ecoturismo como motor da economia local.

Eleita a favorita no Nordeste, um "Caribe" encanta com águas cristalinas e uma preservação ambiental de tirar o fôlego
Itacaré atrai visitantes com charme rústico e mar cristalino // Créditos: depositphotos.com / Junot

Quais praias valem a trilha pela mata?

Itacaré oferece mais de 20 praias com personalidades distintas. As urbanas ficam a poucos passos do centro; as rurais exigem trilhas pela floresta ou acesso por barco, e a recompensa é proporcional ao esforço.

  • Praia da Concha: a mais próxima do centro, formada pelo encontro do Rio de Contas com o mar. Águas calmas, cabanas e pôr do sol no mirante da Ponta do Xaréu.
  • Tiririca: palco de etapas de campeonatos de surfe, com ondas consistentes o ano inteiro. A plataforma continental estreita (apenas 8 milhas) garante força incomum para o litoral baiano.
  • Prainha: enseada protegida por morros cobertos de floresta, acessível por trilha de 30 minutos. Considerada uma das mais bonitas da Costa do Cacau.
  • Jeribucaçu: 5 km ao sul, cercada por fazenda e mata. O rio de mesmo nome deságua na areia, criando um cenário de postal.
  • Itacarezinho: faixa de 3,5 km, ideal para caminhadas longas, mergulho e observação de tartarugas marinhas entre setembro e março.

As praias paradisíacas e a vibe única de Itacaré, no litoral sul da Bahia. O vídeo é do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 70 mil inscritos, e destaca a Praia da Concha, a trilha para a Prainha e a observação de baleias:

Cachoeiras e aventura no meio da floresta

A Mata Atlântica de Itacaré abriga espécies ameaçadas como a preguiça-de-coleira e o mico-leão-de-cara-dourada. Trilhas que cortam a APA Costa de Itacaré/Serra Grande levam a cachoeiras de água cristalina e mirantes com vista para o oceano.

Cachoeira do Tijuípe, com piscina natural ao pé da queda, é acessível por trilha leve. A Cachoeira do Cleandro, com três quedas em meio à mata densa, exige caminhada moderada após passeio de barco pelo Rio de Contas. Para os mais aventureiros, há rafting nas corredeiras do rio, arvorismo com tirolesa de 280 metros sobre a Praia do Ribeira e caiaque pelos manguezais.

Eleita a favorita no Nordeste, um "Caribe" encanta com águas cristalinas e uma preservação ambiental de tirar o fôlego
Planeje Itacaré com roteiros de buggy, visitas a fazendas de cacau e acessos fáceis do aeroporto de Ilhéus para aventuras econômicas na BA. // Créditos: depositphotos.com / PedroTruffi

Sabores entre o dendê e o cacau

A culinária itacareense mistura frutos do mar com a tradição baiana do dendê. Moquecasbobó de camarão e acarajé disputam espaço nos restaurantes da Rua da Pituba, principal via gastronômica e noturna da cidade. A farofa de banana da terra e o pirão de leite acompanham os peixes frescos.

O cacau, que já foi a razão de existir da cidade, voltou como atração turística. Fazendas abertas à visitação em Taboquinhas oferecem a experiência completa: da colheita do fruto à degustação do chocolate artesanal. Lojinhas no centro vendem tabletes, nibs e trufas produzidos com cacau da região.

A cidade do litoral que se destaca pela Mata Atlântica preservada e águas cristalinas de tirar o fôlego
Em Itacaré, relaxe nas praias quentinhas, saboreie cacau fresco e curtir trilhas leves com a vibe descontraída do litoral baiano autêntico! // Créditos: depositphotos.com / Junot

Quando ir para aproveitar sol e ondas?

O clima tropical úmido garante calor o ano todo, com temperatura média de 25°C. Não existe uma estação completamente seca, mas os meses de menor chuva concentram-se entre setembro e fevereiro.

VERÃO

Dezembro – Março

23°C a 31°C

🔥 ALTA TEMPORADA

Com chuva média, a cidade ferve. É a época ideal para aproveitar as praias e trilhas, além de curtir a agitada vida noturna na Rua da Pituba.

OUTONO

Abril – Junho

22°C a 28°C

🌊 SURFE & QUEDAS

Período de chuva alta. As cachoeiras ficam exuberantes e o swell começa a entrar com força, garantindo o melhor surfe de inverno da Bahia.

INVERNO

Julho – Agosto

21°C a 27°C

🐋 BALEIAS JUBARTE

Com chuva média, é a temporada mágica para observar as baleias jubarte na costa. O mar oferece ondulações perfeitas para surfistas experientes.

PRIMAVERA

Setembro – Novembro

22°C a 29°C

🐢 NATUREZA VIVA

chuva é baixa e o céu fica aberto. É o momento de observar tartarugas marinhas na areia e percorrer as trilhas com sol garantido.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao litoral sul da Bahia?

O aeroporto mais próximo é o de Ilhéus, a 70 km pela BA-001, estrada cênica que corta a Mata Atlântica em cerca de 1h15. De Salvador, a distância é de 250 km via ferry-boat em Bom Despacho e depois pela BA-001. Ônibus partem de IlhéusItabuna e Salvador com frequência diária.

O destino onde a mata encontra o mar

Itacaré é rara. Poucos lugares no litoral brasileiro conservam tanta floresta tão perto da areia, com ondas de qualidade internacional, cachoeiras a minutos do centro e uma gastronomia que vai do dendê ao chocolate bean-to-bar. A vila que quase desapareceu com a crise do cacau hoje vive do que sempre teve de melhor: a natureza intocada.

Fonte: Terra Brasil

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A vila no Nordeste que enriqueceu com o cacau e renasceu pelo surfe com mais de 20 praias cercadas por Mata Atlântica