
O agravamento da crise econômica na China, marcado por desemprego persistente e desaceleração do crescimento, tem levado mais cidadãos a vender sangue para sobreviver, segundo relatos de moradores de diferentes regiões ouvidos pelo The Epoch Times.
Embora a venda de sangue seja oficialmente ilegal desde 1998, a prática continua sob a denominação formal de “doação voluntária”, intermediada por corretores conhecidos como “corretores de sangue”.
Desemprego e sobrevivência nas grandes cidades
Chen Hong (pseudônimo), morador de Pequim que passou a recolher recicláveis após perder o emprego, relatou que muitos desempregados e moradores de rua na região da Estação Ferroviária Oeste de Pequim recorrem à venda de sangue para obter dinheiro ou comida.
“Eles não conseguem nem trabalho diário básico. Não têm dinheiro e não têm comida. Se você vender sangue, eles dão comida. Algumas pessoas vendem sangue a cada duas semanas”, afirmou.
Um artigo do jornalista independente Li Banjiang, que circula desde janeiro, descreve o mercado informal de Majuqiao, em Pequim, onde trabalhadores que não conseguem empregos temporários recorrem à venda de sangue como último recurso, chegando a gritar “vendo sangue” nas ruas.
Um idoso da província de Hebei citado no artigo disse que muitos ali foram demitidos de fábricas ao atingirem certa idade. Sem conseguir trabalho, alguns vendem dados pessoais ou sangue para sobreviver.

A intermediação e os valores pagos
Yang Dong (pseudônimo), que atua como intermediário em Pequim, afirmou que os valores variam conforme o tipo sanguíneo: 800 yuans para tipos A e O e 700 yuans para AB e B. Segundo ele, os tipos A e O estão em falta devido à alta demanda hospitalar.
Yang disse que conecta doadores a hospitais e auxilia com documentação e agendamentos. Em entrevista, afirmou estar no Hospital 301, instituição que também atende lideranças do Partido Comunista Chinês e comandos militares, além de pacientes civis.
Embora o regime tenha proibido a venda de sangue com a Lei de Doação de Sangue, em vigor desde 1º de outubro de 1998, o sistema opera como “doação voluntária”. O pagamento é formalmente descrito como “auxílio nutricional”.
Relatos individuais de endividamento
Ping Sheng (pseudônimo), de 39 anos, na província de Guangdong, contou que investiu mais de 8 milhões de yuans na expansão de sua empresa em 2019. Com os lockdowns da pandemia, ficou com mais de 3 milhões de yuans em dívidas.
Após desenvolver cálculos renais e não conseguir pagar o tratamento de 3.000 yuans, passou a vender sangue. Disse ter recebido cerca de 2.000 yuans no total, mas foi informado de que não poderia continuar, sob risco de morte.
“O hospital não pode dizer que está vendendo sangue, porque isso é ilegal; eles chamam de doação”, afirmou.
Um histórico controverso
A venda ilegal de sangue tem precedentes na China. Nos anos 1990, a chamada “economia do plasma” na província de Henan — envolvendo transfusões e coletas ilegais com apoio de autoridades locais — resultou em uma grave epidemia de AIDS.
Especialistas e denunciantes como Gao Yaojie e Wang Shuping afirmaram que a dimensão real da crise foi maior do que a reconhecida oficialmente.
Expansão recente e críticas
Moradores relatam que, com a deterioração econômica nos últimos anos, mais pessoas passaram a recorrer à venda de sangue.
Tang Jingyuan, comentarista e médico baseado nos Estados Unidos, afirmou que a prática ilegal sempre existiu, mas anteriormente ocorria de forma clandestina.
Segundo ele, o aumento do número de vendedores transformou a atividade em um negócio “semi-público” e estruturado, com impactos potenciais sobre a indústria de produtos sanguíneos.
Tang associou o fenômeno ao desemprego em larga escala e descreveu a situação como reflexo de desordem social crescente.
Fonte: The Epoch Times
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