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Plano dos EUA começou em agosto de 2025 e mapeou detalhes minuciosos da rotina do ditador venezuelano antes de capturá-lo
Equipe norte-americana se movimentou por Caracas, capital da Venezuela, permanecendo não detectada por meses enquanto estava no país
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, a quem o governo Trump havia rotulado de narcoterrorista Foto: Federico Parra/AFP
Em agosto do ano passado, uma equipe clandestina de oficiais da CIA se infiltrou na Venezuela com um plano para coletar informações sobre Nicolás Maduro, o ditador do país, a quem o governo Trump havia rotulado de narcoterrorista.
A equipe da CIA se movimentou por Caracas, capital venezuelana, permanecendo não detectada por meses enquanto estava no país. As informações coletadas sobre os movimentos diários do líder venezuelano – combinadas com uma fonte próxima a Maduro e uma frota de drones furtivos voando secretamente acima – possibilitaram à agência mapear detalhes minuciosos sobre sua rotina.
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Foi uma missão altamente perigosa. Com a embaixada dos EUA fechada, os oficiais da CIA não puderam operar sob o manto da cobertura diplomática. Mas foi altamente bem-sucedida. O Gen. Dan Caine, o chefe do Estado-Maior Conjunto, disse em uma coletiva de imprensa que por causa das informações coletadas pela equipe, os Estados Unidos sabiam onde Maduro se movimentava, o que ele comia e até quais animais de estimação ele tinha.
Essa informação foi crítica para a subsequente operação militar, um ataque antes do amanhecer no sábado (3/1), por comandos de elite da Força Delta do Exército, a operação militar mais arriscada dos Estados Unidos do seu tipo desde que membros da SEAL Team 6 da Marinha mataram Osama bin Laden no Paquistão em 2011.
O resultado foi uma operação taticamente precisa e rapidamente executada que extraiu Maduro de seu país sem nenhuma perda de vida norte-americana, um resultado aclamado pelo presidente Donald Trump em meio a maiores questionamentos sobre a legalidade para as ações dos EUA na Venezuela.
Trump justificou o que foi nomeado Operação Resolução Absoluta como um golpe contra o tráfico de drogas. Mas a Venezuela não é grande participante no comércio internacional de drogas como outros países. Oficiais haviam previamente informado aos líderes congressistas que o objetivo deles na Venezuela não era mudança de regime. E Trump tem longamente dito que ele se opõe a ocupações estrangeiras pelos EUA.
Preparação
Em contraste com as desordenadas intervenções dos EUA no passado – no Panamá ou em Cuba -, a operação para capturar Maduro foi praticamente impecável, de acordo com vários oficiais familiarizados com os detalhes, alguns dos quais falaram sob condição de anonimato para descrever os planos.
Na preparação, comandos da Força Delta ensaiaram a extração dentro de um modelo em escala real do complexo de Maduro que o Comando de Operações Especiais Conjuntas havia construído no Kentucky. Eles praticaram como arrombar portas de aço em ritmos cada vez mais rápidos.
O Exército estava pronto há dias para executar a missão, esperando por condições climáticas favoráveis e um momento em que o risco de baixas civis seria minimizado.
Em meio às tensões intensificadas, Maduro vinha alternando entre seis e oito locais, e os Estados Unidos nem sempre sabiam onde ele pretendia ficar até tarde da noite. Para executar a operação, o Exército norte-americano precisava da confirmação de que Maduro estava no complexo que haviam treinado para atacar.
Nos dias que antecederam a incursão, os Estados Unidos implantaram um número crescente de aeronaves de Operações Especiais, aviões de guerra eletrônica especializados, drones Reaper armados, helicópteros de busca e salvamento e caças na região – reforços de última hora que, segundo analistas, indicavam que a única questão era quando a ação militar aconteceria, e não se.
Os Estados Unidos haviam feito outras movimentações com a intenção de aumentar a pressão sobre Maduro e preparar-se para a incursão para capturá-lo. Uma semana antes, a CIA. havia realizado um ataque com drone a uma instalação portuária na Venezuela. E, por meses, o Exército norte-americano conduziu uma campanha legalmente contestada que destruiu dezenas de barcos e matou pelo menos 115 pessoas no Caribe.
(Estadão Conteúdo)
Fonte: Diário Do Brasil
