
(@JanjaLula/Reprodução
O almoço de Páscoa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, acabou gerando críticas de ambientalistas e ativistas. O motivo foi o prato servido: carne de paca, um animal silvestre típico do Brasil.
A repercussão ganhou força após a apresentadora e ativista Luisa Mell publicar um vídeo criticando o episódio. Um dos pontos que mais chamou sua atenção foi a fala de Janja ao descrever o preparo da receita, quando mencionou que “carne de caça pede uso de ervas e tempero verde”. “Ela falou ‘carne de caça’ e eu já escutei esse vídeo mil vezes para ter certeza”, afirmou Mell.
A paca, considerada o segundo maior roedor do país, é uma espécie herbívora com papel importante na dispersão de sementes e na regeneração de florestas. Por isso, especialistas e defensores da causa animal destacam que, mesmo em contextos legalizados, o consumo de animais silvestres levanta questionamentos éticos e ambientais.
No campo político, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) disse que encaminhou um pedido ao Ministério do Meio Ambiente para que seja investigada a origem da carne consumida.
Diante da repercussão, Janja — que mantém uma postura de defensora da causa animal, especialmente em relação à adoção e aos cuidados com os animais do Palácio da Alvorada — se manifestou publicamente. Segundo ela, a carne não era de caça ilegal, mas sim um presente de um produtor autorizado. A primeira-dama ressaltou que o consumo é permitido quando o animal é proveniente de criadouros regulamentados pelo Ibama.
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Ainda assim, outros ativistas também se posicionaram, como a ONG Fórum Animal.
Em nota, a organização afirmou que o episódio expõe um problema que vai além da origem da carne. Para a entidade, a visibilidade dada ao consumo de animais silvestres por figuras públicas pode enfraquecer campanhas de conscientização e contribuir para a naturalização de práticas associadas à caça e ao tráfico.
A organização também destacou que a captura ilegal de espécies como pacas, antas, jacarés e tartarugas ainda é recorrente no país, muitas vezes destinada ao consumo. “Dados recorrentes mostram que, semanalmente, diversas espécies como pacas, antas, jacarés e tartarugas são vítimas de captura ilegal. Muitas dessas ações têm como destino o consumo de carne, alimentando uma cadeia que ameaça a biodiversidade brasileira”, afirmou a ONG.
Com informações de VEJA
