
(Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
A delação do empresário Maurício Camisotti, pivô do esquema de corrupção no INSS, chegou ao gabinete do ministro André Mendonça, no STF, na última segunda-feira para homologação.
A partir de agora, Mendonça irá analisar se todos os termos da negociação com a Polícia Federal foram cumpridos, se o delator admitiu crimes novos e apresentou provas sobre o que relatou e, o crucial, se relatou tudo que fez, viu e ouviu por livre vontade. O ministro também analisará se o delator omitiu fatos ou inventou informações.
No longo acordo, Camisotti apresenta documentos e detalha toda a origem do esquema no INSS, abre as conexões políticas e o papel de figuras como Roberta Luchsinger, a amiga de Lulinha, nas negociatas de Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS.
O delator acaba com qualquer chance de o Careca do INSS escapar de uma condenação dura no STF.
Camisotti avança sobre políticos do PDT e ministros de Lula que sabiam de todo o esquema e nada fizeram para evitar o roubo.
Um vice-presidente de partido é citado como beneficiário de propinas, assim como nomes do INSS no governo Lula.
O delator também dá nomes de políticos do Congresso que receberam propina do esquema de descontos ilegais.
E detalha a engrenagem empresarial para lavar o dinheiro desviado via um famoso escritório de advocacia de São Paulo.
O avanço da delação de Camisotti provocou, nos últimos dias, uma corrida de outros investigados para delatar.
Até o Careca do INSS resolveu se movimentar, ainda que tardiamente, para analisar os benefícios de derrubar o universo político protegido por ele.
Com informações de VEJA
