Formada há aproximadamente 2,7 bilhões de anos durante o Éon Arqueano, a montanha da Bacia de Witwatersrand, na África do Sul, concentra cerca de 40% de todo o ouro já extraído pela humanidade e sustenta operações de mineração que ultrapassam 4 quilômetros de profundidade desde 1886

Na África do Sul, a montanha associada à Bacia de Witwatersrand, formada há 2,7 bilhões de anos, responde por cerca de 40% de todo o ouro já extraído desde 1886 e mantém operações que ultrapassam 4 quilômetros de profundidade.

A montanha localizada na região da Bacia de Witwatersrand consolidou-se como a formação geológica produtora de ouro mais rica já identificada. Estudos geológicos e registros de mineração indicam que aproximadamente 40% de todo o ouro já extraído pela humanidade provém dessa única bacia.

As rochas da montanha se formaram durante o Éon Arqueano, quando a crosta terrestre ainda estava em estabilização e a atmosfera continha pouco oxigênio. Atualmente, as cristas próximas a Joanesburgo apresentam aspecto árido, com rodovias, bairros residenciais e antigas torres de mineração.

Nada na superfície da montanha indica a dimensão do que se encontra no subsolo. Sob as colinas está a formação aurífera mais produtiva já registrada, responsável por sustentar mais de um século de mineração contínua sem paralelo em outras regiões.

Montanha formada por antigos sistemas fluviais há quase 3 bilhões de anos

A montanha não é composta por um maciço metálico. Trata-se de uma vasta bacia sedimentar formada por rochas estratificadas que, no passado, integraram sistemas fluviais, planícies aluviais e bacias rasas no interior continental.

Há quase três bilhões de anos, a água escoava por terrenos vulcânicos conhecidos como cinturões de rochas verdes. Esse fluxo erodia rochas ricas em minerais e transportava fragmentos ao longo dos cursos d’água.

Devido à alta densidade, o ouro se depositava rapidamente em águas correntes. Com o tempo, acumulou-se em bancos de cascalho e leitos de rios. À medida que novos sedimentos se sobrepunham, os depósitos eram soterrados e comprimidos.

O calor e a pressão transformaram esses sedimentos em conglomerados, preservando o cascalho original em forma de rocha sólida. Em termos geológicos, esse tipo de depósito é classificado como paleoplacer, ou seja, antigo depósito aluvial litificado.

Os grãos arredondados de ouro encontrados nos conglomerados ainda apresentam características típicas de partículas transportadas por água corrente. Essa evidência tornou-se central para a compreensão da formação da montanha e de seus depósitos auríferos.

Descoberta em 1886 transformou a montanha e originou Joanesburgo

Em 1886, garimpeiros identificaram afloramentos auríferos ao longo da cordilheira de Witwatersrand. O episódio marcou o início de uma das operações de mineração mais prolongadas da história.

Em poucos anos, um acampamento improvisado deu lugar a Joanesburgo, cidade estruturada em torno da extração de ouro. A montanha passou a sustentar a base da economia mineradora da África do Sul.

Com a expansão das atividades, a produção avançou de áreas rasas para operações industriais. No início do século XX, o país tornou-se o maior produtor mundial de ouro.

Linhas ferroviárias, usinas de processamento e instituições financeiras foram instaladas para dar suporte às minas. A montanha conectou-se a mercados globais por meio dessa infraestrutura.

O ouro extraído raramente aparecia em grandes pepitas. Ele estava disperso em partículas microscópicas nos conglomerados. Sua extração exigia trituração de grandes volumes de rocha e tratamento químico refinado ao longo de décadas.

Além do ouro, a mineração também resultou na extração de quantidades significativas de urânio, incorporando outro mineral estratégico à produção da bacia.

Estudos geoquímicos reforçam origem paleoplacer da montanha

Durante grande parte do século XX, cientistas debateram se o ouro da montanha resultava exclusivamente de antigos processos fluviais ou se fluidos hidrotermais posteriores tiveram papel predominante.

Pesquisas geoquímicas modernas trouxeram novos elementos ao debate. Pesquisadores da Universidade do Arizona analisaram assinaturas isotópicas em minerais da bacia.

Os resultados indicaram evidências compatíveis com a erosão de cinturões de rochas verdes circundantes durante o Arqueano. As conclusões corroboraram a interpretação de paleoplacer.

Os dados reforçaram que os rios concentraram inicialmente o metal na superfície terrestre. Posteriormente, soterramento e processos tectônicos preservaram os depósitos na estrutura da montanha.

As rochas circundantes foram datadas entre aproximadamente 2,7 e 3 bilhões de anos. Esse intervalo situa a formação dos depósitos em um período anterior ao surgimento de plantas e animais complexos.

A montanha preserva, assim, não apenas grandes quantidades de ouro, mas também registros do desenvolvimento continental inicial.

Montanha sustenta mineração a mais de 4 quilômetros de profundidade

Com o esgotamento dos depósitos superficiais, as operações avançaram para níveis mais profundos da crosta terrestre. A montanha tornou-se referência mundial em mineração em profundidade.

Diversos poços ultrapassam 4 quilômetros abaixo da superfície. Nessas áreas, a temperatura das rochas pode exceder 50 graus Celsius.

As condições de pressão elevam o risco de eventos sísmicos. Para manter a produção, empresas instalaram sistemas de refrigeração e estruturas de suporte reforçadas.

Essas medidas visam resfriar áreas de trabalho e estabilizar túneis. Apesar dos desafios técnicos, a produção da montanha continuou por mais de um século.

Embora a produção anual tenha diminuído em relação aos níveis máximos, a bacia permanece como uma das mais significativas da história da mineração.

Formada no Arqueano e explorada desde 1886, a montanha associada à Bacia de Witwatersrand produziu cerca de 40% de todo o ouro já extraído na história moderna, conforme registros compilados pela indústria e levantamentos geológicos.

Fonte: CPG

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Montanha de 2,7 bilhões de anos guarda 40% de todo o ouro já extraído no mundo e ainda esconde riqueza avaliada em meio trilhão de dólares