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Com a proximidade da declaração do Imposto de Renda 2026, o PIX passou a ocupar papel central no cruzamento de dados da Receita Federal, que compara a movimentação financeira com a renda declarada. E inconsistências identificadas podem levar o contribuinte à malha fina, ao recálculo e à aplicação de multas.
Ao contrário do que muitos contribuintes imaginam, o PIX não é tributado. O sistema funciona apenas como meio de pagamento. O que está no radar do Fisco é a origem dos recursos e a coerência entre os rendimentos informados no Imposto de Renda e as movimentações financeiras realizadas.
O que a Receita Federal efetivamente monitora
De acordo com o especialista em economia, João Victor da Silva, a Receita Federal não acompanha transferências PIX individualmente nem realiza fiscalização em tempo real. O controle é sistêmico e automatizado, voltado à análise do comportamento financeiro consolidado de cada CPF ou CNPJ.
Segundo a Orsitec, o foco da fiscalização está no volume global movimentado e na consistência desses valores com os rendimentos declarados.
“O sistema da Receita hoje é altamente eficiente. O contribuinte não cai na malha fina necessariamente porque o fiscal ‘olhou’ sua conta, mas porque o algoritmo detectou uma discrepância matemática entre o que entrou no banco e o que foi declarado”, explica o economista e analista de mercado da empresa, João Victor da Silva.
e-Financeira reúne os dados enviados ao Fisco
A principal ferramenta desse acompanhamento é a e-Financeira, declaração obrigatória encaminhada periodicamente à Receita Federal por bancos tradicionais, bancos digitais, fintechs e instituições de pagamento.
Nesse documento, são informados os valores globais movimentados mensalmente quando ultrapassam R$ 2 mil no caso de pessoas físicas e R$ 6 mil para pessoas jurídicas.
A declaração não detalha cada transação, mas fornece ao Fisco uma visão consolidada da movimentação financeira, posteriormente cruzada com os dados do Imposto de Renda.
Cinco cuidados essenciais para evitar riscos fiscais
Manter organização e transparência é a principal estratégia para reduzir riscos. Em um ambiente cada vez mais orientado por dados, a coerência entre renda declarada e movimentação financeira tornou-se condição essencial para garantir previsibilidade e segurança na relação com a Receita Federal.
- Declare a origem, não o meio: Todo rendimento deve ser declarado, independentemente de ser PIX ou espécie.
- Separe o profissional do pessoal: Mantenha contas distintas para evitar confusão patrimonial.
- Formalize operações: Documente doações e empréstimos por meio de contratos.
- Emita notas fiscais: Indispensável para autônomos e empresas registrarem suas receitas.
- Busque apoio especializado: O acompanhamento contábil periódico corrige distorções antes que virem problemas.
Padrões que costumam exigir atenção
Não existe um valor único que, isoladamente, determine o início de uma fiscalização ou que faça cair na malha fina. O que chama a atenção da Receita Federal são padrões recorrentes, como:
- Movimentar valores superiores à renda declarada de forma contínua;
- Receber pagamentos frequentes — ainda que em pequenos valores;
- Ter entradas regulares de diferentes CPFs;
- Utilizar conta pessoal para atividades que caracterizam geração de renda.
Esses comportamentos podem ser interpretados como indícios de atividade econômica não declarada, como prestação de serviços ou venda de produtos.
Desorganização financeira é o principal fator de risco
De acordo com a Orsitec, a maioria dos questionamentos fiscais não decorre de fraude deliberada, mas de desorganização financeira. Entre os erros mais comuns estão deixar de declarar rendimentos recebidos por PIX, não formalizar doações ou empréstimos e misturar contas pessoais e empresariais.
Quando inconsistências são confirmadas, o contribuinte pode ser chamado a prestar esclarecimentos, ter o imposto recalculado com incidência de juros pela taxa Selic e sofrer multas que podem chegar a 150% do valor devido.
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Fonte: Diário Do Brasil
