
REPRODUÇÃO
Há cerca de 20 anos, a cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, lançou um ambicioso projeto para criar um polo cinematográfico brasileiro — apelidado por alguns de Pauliwood.
No início dos anos 2000, a prefeitura começou com atividades culturais simples, como exibição de filmes e cursos de cinema. Aos poucos, o projeto cresceu: um teatro moderno de 1.300 lugares foi construído em 2008, estúdios de gravação foram montados e festivais de cinema com grandes prêmios atraíram estrelas do cinema nacional.
O município investiu milhões de reais em infraestrutura, formação e incentivos à produção, com a ideia de promover o audiovisual local e diversificar a economia, que era muito dependente da refinaria de petróleo da cidade.
No auge, o polo chegou a sediar estreias importantes e festivais bem-sucedidos — como a estreia do filme O Palhaço, de Selton Mello, que teve sessões extras esgotadas.
Mas o projeto não se sustentou. Com mudanças políticas na prefeitura a partir de 2012, eventos e editais foram cancelados ou suspensos, e o foco dos recursos públicos foi mudado para outras áreas, como educação e saúde.
Hoje, boa parte da infraestrutura está abandonada ou subutilizada:
o teatro foi fechado desde a pandemia e está deteriorado;
escolas de cinema foram desativadas;
estúdios e prédios não estão sendo usados para cinema;
o hotel planejado para atender a produção cinematográfica nunca funcionou plenamente.
Os estúdios construídos são a única exceção — ainda em boas condições — mas têm dificuldade em atrair produções para a cidade.
A matéria conclui que o exemplo de Paulínia mostra como políticas culturais dependentes de um único governo são frágeis, e sugere que estratégias mais duradouras envolvendo iniciativa privada poderiam ser necessárias para revitalizar o projeto.
Com a informações Superinteressante
Fonte: Diário Do Brasil
