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A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, ganhou um novo capítulo com a revelação de que os Estados Unidos teriam usado uma arma “secreta” e altamente tecnológica durante a operação. Batizado informalmente de “desorientador”, o dispositivo teria sido utilizado para neutralizar as forças de segurança no entorno de Maduro, segundo declarações do próprio presidente norte-americano, Donald Trump.

A acusação partiu do ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, que afirmou que seu país foi usado como uma espécie de laboratório para tecnologias militares avançadas, que ainda não haviam sido utilizadas em campo de batalha. Segundo Caracas, dezenas de soldados venezuelanos e também militares cubanos, responsáveis pela segurança pessoal de Maduro, morreram durante o ataque. Para o governo venezuelano, a operação extrapolou qualquer padrão conhecido de intervenção militar.

Do lado americano, Trump confirmou o uso de uma arma “especial”, mas evitou dar detalhes. Em entrevista, afirmou apenas que o dispositivo fez com que “equipamentos parassem de funcionar”, sugerindo um tipo de tecnologia capaz de desativar sistemas defensivos a distância.

Nos dias seguintes à captura de Maduro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, repercutiu nas redes sociais o relato de um suposto agente de segurança venezuelano. Segundo ele, os EUA teriam lançado um dispositivo que parecia com “uma onda sonora extremamente intensa” quando foi acionado.

“De repente, senti como se minha cabeça estivesse explodindo por dentro”, escreveu o agente de segurança. “Todos começaram a sangrar pelo nariz. Alguns chegaram a vomitar sangue. Nós caímos no chão, sem conseguir nos mover”, relatou.

“Ninguém mais tem isso. Nós temos armas que ninguém conhece. E acho que é melhor não falar sobre elas, mas temos equipamentos incríveis. Foi um ataque impressionante. Não se esqueçam de que aquela casa ficava no meio de uma fortaleza e de uma base militar”, revelou Trump em entrevista à emissora NewsNation.

Dentre os equipamentos militares já conhecidos, os que atuam de forma mais parecida ao que foi descrito por Trump e o agente venezuelano são o LRAD (Long Range Acoustic Device, ou Dispositivo Acústico de Longo Alcance, em português) e o ADS (Active Denial System, ou Sistema de Negação Ativa, em português).

Classificado como arma de desorientação, o LRAD é um equipamento que emite ondas sonoras altamente direcionais, voltado a transmissão de mensagens a grandes distâncias, mas que podem provocar desconforto físico intenso, com sintomas como náusea e tontura, se usado em configurações mais altas.

Apesar do apelido de “arma sônica”, o dispositivo não é projetado para destruir equipamentos ou desligar sistemas eletrônicos. O dispositivo é utilizado principalmente contra piratas, na proteção de bases militares, ou para controle de multidões e ações policiais, mas sempre voltado ao uso contra pessoas, e não máquinas ou equipamentos.

Já o ADS também não utiliza som. O dispositivo emite ondas eletromagnéticas que aquecem a superfície da pele, causando dor semelhante a de estar sendo queimado. Embora tenha sido enviado ao Afeganistão em 2010, o ADS nunca chegou a ser usado em combate real.

O que é o “desorientador”?

Não há uma definição técnica confirmada para uma arma chamada “desorientador”. É que afirma o analista militar e político Elijah Magnier, em entrevista ao jornal Al Jazeera. “Esses nomes não são técnicos e parecem funcionar mais como rótulos políticos para ferramentas que já existem”, explicou.

Segundo ele, a interrupção repentina de sistemas pode ser causada por ações como ataques cibernéticos, guerra eletrônica, supressão de sensores ou cortes localizados de energia. “Para quem está no meio da ação, é como se os equipamentos simplesmente deixassem de funcionar”, afirmou.

O analista também destacou que falhas em sistemas de defesa aérea venezuelanos podem estar ligadas a problemas operacionais ou de integração, algo já observado em outros conflitos. Segundo ele, armas sônicas não têm capacidade de desativar equipamentos militares.

Magnier acrescenta que dispositivos de desorientação podem ter afetado soldados e seguranças durante a operação, mas isso não indica o uso de uma nova tecnologia. “Esses efeitos podem ser provocados por explosões, granadas de luz e som ou outros meios já conhecidos”, concluiu.

com informações de Portal R7

Fonte: Diário Do Brasil

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O que é a arma secreta ‘desorientadora’ dos EUA usada para capturar Maduro