Foto: EPA / BBC News Brasil

Os protestos no Irã começaram no final de 28 de dezembro de 2025, principalmente em Teerã, motivados por uma grave crise econômica, com destaque para a forte desvalorização da moeda iraniana (rial) e a deterioração das condições de vida da população.

Inicialmente, as manifestações começaram como protestos econômicos — sobretudo de comerciantes e lojistas — mas rapidamente assumiram um caráter político e antigovernamental, com críticas diretas ao regime clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

A análise conjunta da BBC Verify e da BBC Persa encontrou evidências verificadas de protestos e confrontos em pelo menos 17 das 31 províncias do Irã — ou seja, mais da metade do país.

O método usado foi a verificação de vídeos geolocalizados e checados, com mais de 100 vídeos confirmados, o que indica manifestações em mais de 50 cidades, incluindo áreas tradicionalmente consideradas leais ao governo iraniano, como Qom e Mashhad.

A BBC observa que o número real de províncias com protestos pode ser ainda maior, porque a análise considerou apenas vídeos que passaram por verificação rigorosa.

Os principais motivos que levaram à mobilização popular incluem:

  • Crise econômica profunda — com inflação alta, desvalorização do rial e queda do poder de compra da população.
  • Insatisfação generalizada com a gestão econômica e má administração governamental.
  • Questões políticas mais amplas, com protestos assumindo um tom explicitamente contra o regime e sua liderança.
    Com o passar dos dias, as manifestações não ficaram apenas focadas na economia. Em muitas regiões, os protestantes passaram a gritar palavras de ordem contra o líder supremo, Ali Khamenei, e contra o sistema clerical.

    Embora a repressão inicial tenha parecido mais contida do que em protestos anteriores (como em 2022), as forças de segurança têm:
  • Utilizado força crescente contra manifestantes.
  • Emitido avisos de intolerância às manifestações.
  • Há relatos de confrontos armados com forças de segurança, inclusive com uso de tiros, de acordo com vídeos e fontes externas de direitos humanos.Autoridades iranianas afirmam que vão “agirmos com firmeza” contra quem tentasse explorar a situação ou incitar tumultos, enquanto dizem que ouvirão reclamações “legítimas” sobre questões econômicas.

    Especialistas afirmam que, apesar da amplitude dos protestos, as forças de segurança ainda permanecem, em sua maioria, leais ao Estado e sem deserções em massa — um elemento que limita, por agora, uma ameaça existencial imediata ao regime.

    Os protestos no Irã atualmente:

    Começaram por motivos econômicos, mas rapidamente ganharam uma dimensão política contra o governo.
    Se espalharam por pelo menos metade do país, com grande diversidade de regiões e classes sociais envolvidas.
    Enfrentam repressão crescente, com mortes, prisões e confrontos relatados por grupos independentes. 
    Representam um dos maiores desafios ao regime clerical desde os grandes protestos de 2022.

    Fonte: Folha de S Paulo

Fonte: Diário Do Brasil

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Protestos contra governo no Irã se espalham por mais de metade das províncias do país, segundo análise da BBC