Válter Campanato/Agência Brasil

O déficit fiscal do setor público consolidado superou novamente os 8% do Produto Interno Bruto (PIB). Relatório da Goldman Sachs divulgado depois da publicação das estatísticas fiscais pelo Banco Central (BC), na última sexta-feira, 30, declarou que o déficit fiscal deve permanecer nesse patamar nos próximos anos.

O déficit nominal (popularmente conhecido como déficit fiscal) do setor público consolidado do Brasil, que inclui o resultado primário mais os juros, acumulado de 12 meses, atingiu 8,34% do PIB em 2025.

Segundo o banco de investimento, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem “aversão a controle de gastos.” Enquanto esse déficit nominal alcançou 8,34% do PIB, o resultado primário consolidado ficou negativo em 0,43% do PIB no mesmo período. Já o setor público, em dezembro, registrou superávit de R$ 6,3 bilhões. Apesar de superar as expectativas do mercado, foi menor do que resultado do mesmo mês em 2024.

No relatório da Goldman Sachs o arcabouço fiscal do governo foi criticado. O banco de investimentos o considerou fraco e pouco confiável por ter elevado os prêmios de risco e dificultado a fixação das expectativas de inflação no curto e médio prazos.

O arcabouço fiscal atual é o regime de regras que substituiu o Teto de Gastos (vigente por quase uma década), implantado em 2023. Não está mais vinculado apenas à inflação, mas ao crescimento da arrecadação e à meta de resultado primário.

Neste arcabouço, o regime fiscal foi projetado para permitir que as despesas cresçam em um intervalo real entre 0,6% e 2,5% ao ano, dependendo do desempenho da receita. Entre outros fatores, a Goldman Sachs declarou que, na ausência de superávits primários sustentados e acima de 2% do PIB, a trajetória da dívida pública não seguirá um caminho de queda estrutural.

Goldman Sachs analisa a dívida do governo Lula

Também a dívida bruta registrou crescimento em 2025. Encerrou o ano em 78,7% do PIB, acima dos 71,7% registrados ao fim de 2022. O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem um critério que, por incluir os títulos na carteira do BC, tal dívida é de 93,4% do PIB.

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A dívida bruta do governo geral é o total de tudo o que o governo deve, sem descontar o que ele tem a receber. Inclui, entre outros, títulos públicos e as dívidas de Estados e municípios. No relatório, esta dívida deverá prosseguir “no futuro previsível.”

O banco também destacou a expectativa de que os juros não baixem no curto prazo, com o BC mantendo a cautela em função da taxa de desemprego em nível historicamente baixo e ao crescimento real dos salários. A combinação de ambos tende, segundo o banco, a gerar pressões de custos, especialmente no setor de serviços intensivos em mão de obra, com riscos de inflação.

Fonte: RevistaOeste

Fonte: Diário Do Brasil

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Banco americano diz que governo Lula é gastador compulsivo: ‘aversão a controle’