
Delegado Pablo Aguiar chora ao relatar caso de adolescente – Foto: YouTube
O caso de agressão que deixou o estudante Rodrigo Castanheira em coma segue repercutindo em Brasília e levantando debates sobre violência entre jovens, emoção no trabalho policial e responsabilidade penal de adolescentes.
Como o delegado reagiu e destacou o impacto humano da agressão?
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Durante coletiva em 30 de janeiro de 2026, o delegado Pablo Aguiar, da 38ª DP de Vicente Pires, se emocionou ao comentar o andamento da investigação e o sofrimento da família do adolescente de 16 anos. Ele ressaltou que a dimensão do crime ultrapassa o quadro clínico de Rodrigo, alcançando a rotina, expectativas e projetos de vida dos familiares.
Ao mencionar a “dor de um pai”, Pablo destacou que o inquérito busca esclarecer as circunstâncias da agressão e possíveis antecedentes de comportamento violento do investigado. O delegado frisou que o impacto emocional e social sobre a “estrutura familiar” da vítima também é considerado na avaliação da gravidade do episódio. Veja a fala do delegado (Reprodução/X/@Metrópoles):
🚨VEJA – Delegado chora ao detalhar o caso em que o piloto Pedro Turra espanc0u um adolescente no DF, que está em coma, por causa de um chiclete
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) January 31, 2026
“Desde sexta eu mal durmo. Eu sou pai e me coloco na posição daquela família.” pic.twitter.com/Qrv1SjukLY
Como a investigação analisa o contexto antes e depois da agressão?
Na coletiva, o delegado explicou que a apuração não se limita ao momento exato da agressão, mas também ao que ocorreu antes e depois do confronto envolvendo Rodrigo Castanheira. Essa análise contextual considera ambiente escolar, relações prévias entre os jovens e eventuais conflitos anteriores.
A família de Rodrigo precisou adaptar a rotina a internações e tratamentos, convivendo com incertezas quanto à recuperação. Segundo Pablo, esse cenário reforça a necessidade de entender a sequência dos fatos e de avaliar se houve escalada de violência, desproporção física entre os envolvidos e possibilidade de defesa da vítima.
O que mudou nos depoimentos após a prisão de Pedro Turra?
Com a prisão de Pedro Turra, apontado como agressor, a investigação ganhou novo fôlego. O advogado da família de Rodrigo, Albert Halex, afirma que adolescentes que presenciaram a agressão passaram a relatar versões diferentes das prestadas inicialmente, indicando que o medo teria influenciado os primeiros depoimentos.
Segundo Halex, “antes, a história era a do chiclete”, versão que minimizava o episódio. Após a prisão e a maior sensação de segurança, testemunhas passaram a dizer que “a verdade não é essa que estão contando”, descrevendo com mais detalhes a intensidade dos golpes, a reação de Rodrigo e a dinâmica da briga.
Como funciona a tese de homicídio doloso por dolo eventual?
Do ponto de vista jurídico, a defesa da família sustenta o enquadramento como homicídio doloso na modalidade de dolo eventual, e não mera lesão corporal grave. Nessa leitura, o autor teria assumido o risco de produzir a morte ao continuar os golpes mesmo diante da vulnerabilidade da vítima.
O advogado compara a cena a uma “briga de Davi contra Golias”, destacando diferença física entre Pedro Turra e Rodrigo. Halex também aponta um suposto histórico de conduta agressiva do investigado, com golpes recorrentes na face, área sensível do corpo, o que reforçaria a tese de padrão violento e não de ato isolado.
Como o caso envolvendo o adolescente impactou?
O caso Rodrigo Castanheira tornou-se referência em debates sobre violência juvenil, responsabilização penal, pressão social e proteção de testemunhas em investigações de grande repercussão. Especialistas apontam que a combinação de forte impacto emocional e tese jurídica complexa ilustra desafios de escolas, famílias e autoridades.
Esse episódio também reacende discussões sobre prevenção e monitoramento de condutas agressivas em espaços frequentados por adolescentes. Entre os pontos frequentemente destacados em análises públicas e acadêmicas, estão:
- Necessidade de protocolos escolares para registrar e acompanhar episódios de violência recorrente.
- Importância de canais seguros e anônimos para relatos de testemunhas adolescentes.
- Atuação integrada entre escolas, conselhos tutelares, Ministério Público e polícia.
- Debate sobre políticas de responsabilização e medidas socioeducativas para jovens envolvidos em agressões graves.
Fonte: Diário Do Brasil
