Ricardo Stuckert/PR

A democracia brasileira não precisa de figuras heroicas, mas sim de uma profunda reforma para funcionar de forma mais eficaz, defendeu o cientista político José Álvaro Moisés, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), durante o programa ‘WW Especial’, da CNN, que discutiu se a democracia brasileira precisa de salvadores.

O cientista político enfatizou que, embora as regras sejam cruciais para o funcionamento de um regime complexo como a democracia, o Brasil enfrenta a ausência de líderes capazes de realizar a articulação necessária, um vácuo deixado após a geração de estadistas que conduziram a democratização do país.  

“Nós não precisamos de salvadores, nós precisamos reformar a democracia para fazê-la funcionar melhor. Reformar no sentido do que não está funcionando bem no Brasil”, afirmou. 

Coordenador do grupo de pesquisa “Qualidade da Democracia”, José Álvaro afirmou que o regime político do país enfrenta desafios críticos que necessitam de reestruturação. Segundo ele, uma reforma se faz urgente diante do “colapso do presidencialismo de coalizão” e dos persistentes problemas de representação que “alienam a população”.  

“O presidencialismo brasileiro vem de há muito tempo em crise. Um presidente se suicidou, outro renunciou, outro foi deposto. Agora, nesse período mais recente, em menos de 30 anos, nós tivemos dois impeachment, uma clara indicação de que não funciona bem”, observou José Álvaro. 

Citando o cientista político espanhol Juan Linz (1926-2013), o professor da USP descreveu que “o presidencialismo do tipo brasileiro é de uma tal rigidez que não tem saída para as crises”.  

Para ele, em momentos de crise envolvendo o presidente e seu apoio, as únicas saídas são “ou espera até o final do mandato, o que significa prolongar a crise por um período muito longo, ou então o impeachment que traumatiza a sociedade, divide e não resolve o problema”.  

Fonte: CNN Brasil

Fonte: Diário Do Brasil

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Democracia brasileira precisa de reforma profunda, afirma cientista político