Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara foi criticada por diversos setores da sociedade.

Algumas organizações feministas reivindicam que o cargo deve ser ocupado por uma mulher, e não por uma pessoa trans. Afinal, os preconceitos, as barreiras e a violência que mulheres enfrentam ao longo da vida, desde a infância, decorrem da realidade material do sexo feminino. O dimorfismo sexual e a organização binária do sexo na espécie humana, oriunda da anisogamia, são fatos verificados pela ciência.

A medicina descreve a disforia de gênero, quando o indivíduo sente incongruência entre o gênero (conjunto de estereótipos construídos socialmente) com o qual se identifica e seu sexo. Mas isso não significa que seja possível mudar de sexo.

O debate público legítimo desponta porque há demandas do movimento trans capazes de impactar os direitos das mulheres. Assim pensa Reem Alsalem, relatora da ONU sobre violência contra a mulher; no ano passado, a Suprema Corte britânica determinou que a definição legal de mulher deve ser baseada no sexo.

Como Hilton, que já afirmou que não se preocupa com biologia, pretende encaminhar discussões sobre presença de pessoas trans em banheiros e presídios femininos e sobre as categorias esportivas divididas por sexo?

Como Hilton pode atuar em defesa de todas as mulheres, se chamou aquelas que criticaram seu cargo na Comissão de “esgoto da sociedade” e “imbecis”?

Ainda pior, Hilton persegue mulheres, só por dizerem que homens não são mulheres, com acusações de transfobia na Justiça. Um dia após sua eleição, processou Ratinho, apresentador de TV, pelo mesmo motivo e pediu ao Ministério das Comunicações a suspensão do programa por 30 dias —ou seja, exige censura prévia por parte do Executivo, o que é típico de ditaduras.

Se há algo que identifique Hilton é sua sanha punitivista, que escancara inabilidade para lidar com o dissenso intrínseco às democracias liberais. Antes de ser uma pessoa trans, Erika Hilton é uma pessoa autoritária.
Com informações de Folha de São Paulo

Fonte: Diário Brasil

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FOLHA DE SÃO PAULO: Erika Hilton é uma pessoa autoritária