
Reprodução/ Folha de S Paulo
O líder Miguel Díaz-Canel, de Cuba, sugeriu nesta segunda-feira (2) uma transformação “urgente” do modelo econômico do país, de acordo com a mídia estatal cubana, enquanto o país enfrenta um bloqueio petrolífero do governo Trump que aprofundou a crise humanitária na ilha.
Díaz-Canel falou da necessidade de dar mais autonomia aos municípios e ao setor privado cubano, pediu mais investimentos estrangeiros no setor energético e um “redimensionamento do aparato estatal”.
“Devemos nos concentrar imediatamente na implementação das transformações mais urgentes e necessárias no modelo econômico e social”, disse o líder em um discurso ao Conselho de Ministros, o órgão máximo do governo, segundo a mídia estatal.
Os apelos de Díaz-Canel por mudanças, que foram vagos e pouco detalhados, parecem ser uma resposta direta à crescente pressão dos Estados Unidos sobre o regime comunista e um reconhecimento claro dos danos que o bloqueio petrolífero dos EUA causou a Cuba.
Os líderes cubanos há muito prometem reformar a economia ineficiente e controlada centralmente, antes de recuar por medo de perder o controle político.
No início deste ano, o governo de Donald Trump bloqueou os embarques de combustível da Venezuela para Cuba, outrora a principal fonte de petróleo estrangeiro da ilha, e anunciou tarifas sobre qualquer país que enviasse petróleo a ilha caribenha, cortando em grande parte as importações de petróleo e agravando uma escassez de energia da população.
Depois que os Estados Unidos lideraram ataques militares contra a Venezuela e o Irã, dois dos aliados mais próximos de Cuba, Trump deu a entender que derrubar o regime cubano pode ser o próximo passo.
Cercanías
A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Díaz-Canel pediu nesta segunda uma “estabilização macroeconômica” da economia, de acordo com a mídia estatal, e um aumento na produção de alimentos do país.
Especialistas questionam, no entanto, se o país pode alcançar mudanças mais profundas sem um maior desmantelamento do controle do Estado sobre a economia.
“Esta não é uma reflexão genuína sobre uma mudança muito necessária e há muito esperada”, disse Ricardo Torres, economista cubano da American University. Ele descreveu as propostas do líder cubano como “mudanças para que tudo continue igual”.
Fonte: Folha de S Paulo
