
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Dois dias após ultrapassar a barreira de 47% de desaprovação pela primeira vez no Lulômetro, Lula (à esquerda na foto) conta agora com 49% de avaliação ruim ou péssima no índice medido pela Realtime Big Data em parceria com O Antagonista.
Essa é a pior avaliação de Lula desde julho de 2025, quando a medição diária da popularidade do petista começou a ser feita.
Diretor da Realtime Big Data, o cientista político Bruno Soller analisou a situação de Lula na segunda-feira, 6, no Papo Antagonista (assista abaixo).
Nunca foi tão fácil ficar bem informado com O Antagonista
Curva em U invertido
Segundo ele, o tracking de popularidade deve ser analisado pela curva.
“Desde o início da medição do Lulômetro, a gente tem um U invertido. Começou com o Lula lá embaixo na aprovação, uma aprovação tão ruim ou próximo do que ele tem hoje, que foi em julho do ano passado”, comentou Soller.
Naquela época, Lula lidava com o ápice do desgaste pelo tarifaço de Donald Trump.
“O governo consegue, em 3 meses, lentamente fazer uma movimentação em que essa curva de aprovação a vira crescente”, disse Soller, mencionando o discurso dos lulistas de defesa do Brasil contra os interesses americanos, o “nós contra eles, o líder metalúrgico contra o megaempresário capitalista”,
“Tudo isso vai se criando um clima positivo para o governo Lula. Em novembro, começa outro inferno astral para o Lula, que é a operação de segurança pública no Rio de Janeiro, aquela operação contra o Comando Vermelho”, lembrou o cientista político, mencionando a Operação Contenção.
Segundo Soller, a resposta do governo Lula foi muito ruim e a população começou a ficar com raiva de como o governo Lula respondeu.
E a eleição?
“As coisas começam a piorar. Junto disso vem final de ano e início de ano, que é onde o bolso começa a doer. Em dezembro, as pessoas começam a achar que tudo pode, e, em janeiro, tem a hora de pagar a conta. E daí vem imposto, um atrás do outro, e o poder de compra começa a pesar na consciência do brasileiro”, disse Soller, destacando também o limite do efeito da estratégia de expansão da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais.
A situação de Lula se agrava quando se leva em conta que a eleição presidencial se aproxima.
“Enquanto o governo deveria estar melhorando a aprovação, para chegar bem na eleição, vai ter que reescrever essa curva, fazer com que ele volte a ter algum potencial de crescimento, para ser competitivo nas urnas em outubro. Mas o momento, agora, é de endividamento, problema financeiro, as pessoas com dificuldade em fazer compra no final do mês. E, agora, com a história da guerra entre Irã e Estados Unidos, o medo ainda maior de que as coisas vão aumentar de preço”, analisou.
Nesta quarta-feira, 8, Lula disse em entrevista que não decidiu ainda se será candidato à reeleição. É o contrário do que ele vinha indicado nos últimos meses.
Com informações de O Antagonista
Fonte: Diário Do Brasil
