REPRODUÇÃO

Apontado por investigadores como um dos maiores sonegadores de impostos do Brasil, o empresário Ricardo Andrade Magro, controlador do grupo Refit, deixou circular nos bastidores a informação de que estaria disposto a fazer uma delação às autoridades dos Estados Unidos.

A movimentação ocorre em meio ao cerco judicial e fiscal que o empresário enfrenta no Brasil e é interpretada por interlocutores políticos como uma pressão indireta contra o governo federal.

A informação difundida inicialmente em notas na mídia sugeria que a suposta colaboração poderia atingir um ministro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores de Brasília, no entanto, a leitura predominante é que o alvo real da eventual narrativa não seria um integrante do primeiro escalão, mas sim um parlamentar do Partido dos Trabalhadores com quem Magro teria mantido conversas sobre negócios.

Caso uma delação venha a se concretizar em território norte-americano, a avaliação de analistas políticos é que o episódio poderia gerar constrangimentos e disputas narrativas em pleno ano eleitoral no Brasil, independentemente da consistência das acusações.

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Para seus negócios no Brasil, uma eventual delação seria a travessia do Rubicão — referência histórica ao momento em que o general romano Júlio César cruzou o rio Rubicão em 49 a.C., iniciando uma guerra civil e tomando uma decisão sem possibilidade de retorno.

No mercado de combustíveis, delatores costumam ser banidos do circuito empresarial. Ainda assim, Magro parece disposto a correr o risco, enquanto tenta preservar sua fatia de negócios nos Estados Unidos, país do qual já possui cidadania.

O senhor dos combustíveis

Magro é controlador da Grupo Refit, conglomerado com atuação em toda a cadeia de combustíveis — da importação ao refino e à distribuição. O grupo tem forte presença nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e controla a refinaria de Manguinhos, conhecida comercialmente como Refit, além de redes de distribuidoras e postos de combustíveis.

Nos últimos anos, a empresa tornou-se alvo de uma série de investigações envolvendo fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Segundo dados da Receita Federal e de investigações conduzidas por autoridades estaduais e federais, empresas ligadas ao grupo acumulam dívidas tributárias estimadas em cerca de R$ 26 bilhões, valor que inclui impostos estaduais e federais não recolhidos ao longo de vários anos.

Em São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado aponta o grupo como o maior devedor de ICMS do estado, com débitos que ultrapassam R$ 8 bilhões. No Rio de Janeiro, os passivos tributários também superam a casa dos bilhões, ligados principalmente a operações no setor de combustíveis.

Investigações e operações policiais

O conglomerado de Magro tornou-se alvo de operações de grande escala conduzidas por autoridades brasileiras, entre elas ações conhecidas como Operação Carbono Oculto e Operação Poços de Lobato, que investigam esquemas sofisticados de fraude tributária e lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis.

Essas investigações reúnem esforços de diversos órgãos de controle e repressão, incluindo a Polícia Federal, a Receita Federal do Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o Ministério Público Federal e ministérios públicos estaduais.

De acordo com os investigadores, o setor de combustíveis no Brasil tornou-se um dos ambientes mais sensíveis para fraudes fiscais, com esquemas que incluem empresas de fachada, triangulação de operações e manipulação de regimes tributários para reduzir artificialmente o pagamento de impostos.

Fortuna financiou estrutura internacional

Parte da estrutura empresarial ligada a Magro também foi montada no exterior. Investigações apontam a existência de fundos e empresas offshore em jurisdições internacionais, incluindo o estado de Delaware, nos Estados Unidos — uma região conhecida por oferecer vantagens fiscais e societárias.

Autoridades brasileiras suspeitam que essa rede tenha sido utilizada para blindagem patrimonial e circulação internacional de recursos provenientes de atividades investigadas.

Enquanto enfrenta investigações e disputas judiciais no Brasil, Magro permanece fora do país. A eventual cooperação com autoridades norte-americanas — caso realmente ocorra — pode abrir um novo capítulo em um dos maiores casos recentes de suspeita de sonegação fiscal no setor de combustíveis
Com informações de @dgrj

Fonte: Diário Do Brasil

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