
China apresenta tomografia de matriz faseada com resolução seis vezes superior e sem rotação mecânica, ainda em fase de testes clínicos.
Tecnologia chinesa aposta em tomografia sem rotação mecânica e promete imagens seis vezes mais detalhadas que modelos atuais
Uma empresa chinesa apresentou um novo equipamento de tomografia computadorizada que, segundo os desenvolvedores, alcança resolução até seis vezes superior à dos aparelhos convencionais e tenta superar um limite clássico da área ao dispensar a rotação mecânica presente nos modelos mais comuns.
Batizada de tomografia computadorizada de matriz faseada, a máquina foi mostrada ao público em agosto do ano passado e segue em fase de testes, com promessa de entregar imagens ultradetalhadas que, na prática clínica, poderiam acelerar a identificação de alterações muito pequenas.
Tomografia computadorizada de matriz faseada e inovação estrutural
Diferentemente dos tomógrafos tradicionais, que dependem de um conjunto de detectores e fontes de raio X girando ao redor do paciente, o sistema apresentado pela Nanovision busca formar a imagem por meio de uma “rotação óptica” feita por múltiplos módulos.
Nesse desenho, a lógica troca a peça que gira por um arranjo com várias “câmeras” e anéis que emitem raios X alternadamente, com controle preciso de tempo de exposição, para reconstruir o corte interno sem exigir o movimento contínuo do conjunto.

Ao eliminar a rotação mecânica, a proposta é contornar a força centrífuga e outras limitações de engenharia que tendem a aparecer quando o equipamento acelera demais para ganhar definição, reduzindo o espaço para aumentar a performance apenas “girando mais rápido”.
Resolução elevada e impacto no diagnóstico precoce do câncer
A promessa de imagens mais nítidas ganha peso porque, em muitos cenários, encontrar uma lesão menor e mais cedo muda o que o médico consegue enxergar e, sobretudo, o que consegue confirmar com mais rapidez, sem esperar o quadro evoluir.
Na apresentação do equipamento, o diretor do departamento de radiologia do Hospital Ruijin, em Xangai, Yan Fuhua, afirmou que o nível de detalhe obtido se aproxima de uma visualização que antes só seria possível com dissecação, segundo registros de cobertura do lançamento.
O Ruijin entrou no roteiro do projeto por sediar testes e avaliações iniciais, e notícias especializadas apontaram que o sistema foi instalado no hospital para estudos clínicos, incluindo pesquisas voltadas ao rastreamento e análise de casos de câncer de pulmão em estágio inicial.
Certificação de classe 3 e estágio regulatório na China
Quando o equipamento foi apresentado, a Nanovision afirmou que esperava obter até o fim de 2025 a certificação chinesa de classe 3, exigida para uso de dispositivos médicos que utilizam radiação, etapa que abre caminho para aplicação assistencial mais ampla.
Até aqui, porém, não há confirmação pública e verificável, em fontes oficiais acessíveis de forma direta, de que a certificação de classe 3 tenha sido efetivamente concedida ao aparelho citado no anúncio, o que mantém o estágio regulatório como ponto em aberto.
A própria empresa lista em materiais institucionais o avanço de etapas como submissão de pedido de registro e desenvolvimento do produto, mas não detalha, nessas páginas consultadas, uma concessão formal de certificação para uso clínico comercial amplo.
Enquanto isso, estudos e reportagens recentes sobre sistemas estáticos e multifuente indicam que há uma corrida tecnológica para combinar alta resolução com desempenho clínico, usando arquiteturas com vários emissores e estratégias avançadas de reconstrução de imagem.

Exibição na World Health Expo Dubai e vitrine internacional
A máquina também foi levada para demonstração na World Health Expo em Dubai, nos Emirados Árabes, feira que ocorre entre 9 e 12 de fevereiro e que, segundo os organizadores, passou a adotar a marca World Health Expo Dubai, anteriormente conhecida como Arab Health.
O evento reúne fabricantes, hospitais e fornecedores do setor e costuma funcionar como vitrine para equipamentos de diagnóstico, com a expectativa de atrair profissionais e potenciais compradores, especialmente quando a tecnologia ainda precisa provar desempenho e viabilidade em escala.
Ao escolher uma feira global para mostrar o protótipo em funcionamento, a estratégia também sugere a intenção de posicionar a inovação como produto de alta tecnologia, mesmo antes de um ciclo completo de validação clínica e de certificações que variam conforme o país.
No curto prazo, o avanço do projeto depende da combinação entre resultados de testes, análise regulatória e demonstração de benefícios concretos no fluxo de atendimento, já que qualquer promessa de ganho diagnóstico precisa se traduzir em uso consistente e seguro.
Se a tomografia de matriz faseada realmente entregar, no mundo real, imagens mais detalhadas com operação estável e aprovação regulatória, quais especialidades médicas devem sentir primeiro o impacto dessa mudança na rotina de diagnóstico?
Fonte Clickpetroleoegas
