Pneumologista deixa mensagem e orienta a população sobre as comemorações de Natal e Ano Novo

As próximas duas semanas talvez sejam as mais esperadas pela maior parte da população mundial. Mas desta vez, com tudo diferente por conta da pandemia, as comemorações também precisam de restrições. Então, confira a mensagem e as orientações do Dr. Ricardo Beneti, médico pneumologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), que está na linha de frente da pandemia desde o seu início:
“O fim de ano se aproxima, tempo de estar junto à família e amigos… A renovação do calendário é uma genial maneira de nos fazer acreditar na mágica do raiar de um novo ano como uma solução para os problemas do cotidiano e a possibilidade de grandes projetos ou sonhos. O ano de 2020 tem sido difícil para todos! O surgimento de um vírus, de maneira inesperada, nos tomou de assalto vários planos e, infelizmente, muitos entes queridos. À parte do que fizemos de correto no enfrentamento deste vírus (e do muito que erramos), algumas verdades são inquestionáveis, dentre as quais a mais dolorosa: o vírus não se foi e a pandemia não acabou!
A alta taxa de ocupação de leitos hospitalares coloca, neste momento, todos nós em risco (isso mesmo, todos, independentemente de SUS ou Saúde Suplementar) com a possibilidade de desassistência em um momento de necessidade extrema. A realização das festividades de fim de ano não pode ser cega a esta situação. Isso não quer dizer que devemos nos trancar em casa ou aderir a um lockdown irracional. Pelo contrário, devemos usar a racionalidade a nosso favor, minimizando o risco àqueles que amamos e aos seus amados. Trata-se de um vírus com um alto índice de transmissão e não há receita 100% segura. Mas, considerando o conhecimento atual, podemos (e devemos):

  • restringir as festividades aos conviventes do mesmo lar, sem receber pessoas de fora (trata-se de recomendação da Organização Mundial de Saúde; na Europa alguns países tornaram isso uma exigência).
  • mas, tudo bem, somos brasileiros, latinos, gostamos de nos misturar, arriscamos… Então: quanto menor o número de pessoas, de um menor número de núcleos familiares (lares) diferentes, menor o risco. Caso a opção seja receber convidados de outros lares ou locais – o ideal é selecionarmos aqueles que já convivem diariamente com a família.
  • realizar o evento ao ar livre; quanto maior a circulação de ar, menor o risco. Separar os lugares (ou mesas) por famílias e manter um distanciamento entre as pessoas e as mesas (entre 1,5 e 2,0 metros). Restringir o número de pessoas e o tempo de duração do evento; quanto menor o tempo de contato no ambiente (especialmente se fechado), menor o risco.
  • disponibilizar álcool gel para todos os presentes e manter os alimentos cobertos. Idealmente, os talheres de uso comum devem ser higienizados a cada utilização por pessoa diferente.
  • o correto é que as máscaras sejam retiradas apenas às refeições. Nestas festas, comemos e bebemos (obviamente sem máscaras) e isso aumenta muito o risco de contaminação (ainda; como agravante, ao consumir álcool tendemos a relaxar).
  • Reduza e evite o contato íntimo; beijos e abraços animados podem e devem esperar outra oportunidade.
  • muita atenção aos chamados “grupos de risco”. As aglomerações com idosos e portadores de doenças crônicas (cardíacas, pulmonares, diabetes, dentre outras) devem ser evitadas sobremaneira. Caso estes estejam dentre os convidados, a máscara como proteção respiratória ganha ainda mais importância.
  • não há teste ou exames laboratoriais que sejam seguros para selecionar os convidados. Seja rígido e cobre honestidade: em caso de sintomas a pessoa (e sua família) não deve comparecer. O período de isolamento de uma síndrome respiratória (ou gripal) aguda é de até 10 dias (independentemente que tenha sido confirmado Covid-19 ou não), considerando ainda que a pessoa deve estar assintomática nos últimos dias do isolamento.
  • mesmo que a pessoa já tenha sido contaminada com a Covid-19 é possível que haja reinfecção, principalmente após 3 a 6 meses do primeiro episódio. Não há garantia de imunidade (nem à pessoa nem aos convivas).
  • o período de incubação do coronavírus é de 2 a 14 dias e sabemos que há transmissão de pessoas assintomáticas para outras pessoas. Seria necessário um isolamento “total” por 14 dias antes de uma reunião (ou evento) para garantir “zero risco”. Na prática é impossível.
    Assim, utilizar alguns dos aprendizados que tivemos neste ano, visando uma real “virada de calendário”, livre de pandemia, é fundamental. Não há comemoração que valha o dissabor de uma doença na família ou ente querido. Para que tenhamos este e muitos outros finais de ano na companhia daqueles que amamos, não há receita diferente daquela que tem o recheio da consciência cidadã e uma cobertura abundante de responsabilidade”.
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