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Mineiro de 21 anos transforma vídeos longos em cortes prontos com IA e coloca a edição no centro da disputa por alcance orgânico nas redes, com promessa de acelerar a triagem de trechos e a legendagem. Plataforma nasceu em Juiz de Fora, ganhou escala em São Paulo e mira clientes no Brasil e no exterior.

O mineiro Diogo Guilhon, natural de Juiz de Fora (MG), estruturou uma plataforma chamada Spreed.Ai para selecionar trechos de vídeos longos e entregar recortes editados e legendados, com foco em alcance orgânico nas redes sociais.

Já instalado em São Paulo, ele afirma que a solução atende usuários no Brasil e também em mercados como Estados Unidos e Dubai, reunindo dezenas de clientes ativos e um faturamento mensal que chega a R$ 700 mil.

Spreed.Ai e a promessa de acelerar cortes de podcasts

A proposta apresentada pela empresa é reduzir a dependência de anúncios pagos ao transformar entrevistas e podcasts em cortes curtos que tendem a performar melhor em formatos de consumo rápido.

A lógica combina análise de dados, leitura de métricas de engajamento, compreensão de tendências e processamento do conteúdo enviado pelo cliente, com a promessa de facilitar uma etapa que costuma demandar horas de triagem manual: encontrar, dentro de um material extenso, os momentos com maior chance de repercussão.

Segundo o relato do fundador em entrevista ao Diário do Comércio, a ferramenta trabalha a partir do vídeo “cru” e devolve um recorte pronto, já editado e com legendas adequadas.

Guilhon descreve que o sistema também pode sugerir um roteiro com apelo de viralização, além de oferecer uma consultoria de imagem voltada à forma de comunicar a mensagem desejada.

A proposta, nos termos apresentados por ele, é funcionar como um reforço ao trabalho de edição humana, e não como um mecanismo de acesso às contas das pessoas atendidas.

Como a IA processa vídeos longos e entrega recortes prontos

No funcionamento descrito publicamente, há critérios técnicos para que um conteúdo seja processado.

Um deles é a duração: vídeos com mais de 30 minutos, em formato de entrevista ou podcast, estariam alinhados ao modelo de análise da Spreed.Ai.

A partir daí, a plataforma identifica os melhores trechos, separa os recortes e entrega versões que podem ser publicadas em redes que privilegiam vídeos curtos, como forma de aumentar a chance de alcançar milhares ou até milhões de visualizações.

O discurso de Guilhon se ancora em uma leitura de mercado em que a saturação de anúncios tornou mais difícil disputar atenção apenas com investimento em mídia.

O próprio Diário do Comércio cita um estudo da Kantar Ibope Media em parceria com o IAB Brasilque estimou R$ 14,7 bilhões em investimento em publicidade digital no Brasil no primeiro semestre do período analisado, número usado como referência para contextualizar o peso do tráfego pago e a competição por espaço.

Nesse cenário, a estratégia da plataforma é vender a ideia de que reputação, lembrança de marca e conversão podem ser fortalecidas quando o público chega por meio de conteúdo orgânico, e não apenas por campanhas patrocinadas.

Viralização, tráfego orgânico e o limite entre promessa e garantia

O que a empresa diz entregar é uma seleção orientada por dados e padrões de performance, tentando reproduzir aquilo que, em tese, já funciona nas redes: cortes com frases fortes, reações, explicações diretas e momentos que se sustentam fora do contexto original.

Ainda segundo o fundador, o sistema não teria acesso às contas dos clientes e não exigiria permissões para operar dentro das plataformas, atuando como uma camada de análise e edição em cima do conteúdo que o usuário decide enviar.

Mudança para São Paulo, escala e números do negócio

A trajetória do empreendedor é parte do gancho que costuma atrair leitores no Google Discover: juventude, mudança de cidade para tocar o negócio e números altos que ajudam a dimensionar o salto.

O Diário do Comércio registra que a plataforma soma “ativos que ultrapassam os R$ 120 milhões”, além do faturamento mensal de até R$ 700 mil, métricas usadas para indicar porte e tração.

A expansão para fora do Brasil, citada na reportagem, também reforça o apelo global do tema, já que a dinâmica de cortes, podcasts e vídeos curtos é semelhante em diversos países.

Podcasts, vídeos curtos e a nova vitrine de autoridade

A movimentação da startup se conecta a uma transformação mais ampla no consumo de conteúdo: podcasts e entrevistas cresceram como formato longo, enquanto a descoberta desses conteúdos acontece, com frequência, por pequenos trechos que circulam separadamente.

Para muitos criadores, a dificuldade não é gravar, mas editar com consistência, testar estilos, ajustar legendas e publicar com frequência suficiente para “treinar” algoritmos de distribuição.

É nessa etapa que ferramentas automatizadas tentam ganhar espaço, oferecendo escala de produção para quem não tem equipe de mídia.

Ao explicar como a Spreed.Ai se posiciona, Guilhon cita metodologias baseadas em análise de dados, métricas e tendências.

A ideia é que o software encontre o que chama de melhores “aspectos, frases e momentos” e devolva um recorte com características associadas a alto engajamento.

Na prática, isso significa encurtar o caminho entre a gravação do conteúdo e a publicação de versões curtas, que costumam ser o primeiro contato do público com um especialista, um produto ou uma marca.

Caso citado: de 750 seguidores a 235 mil em seis meses

A reportagem também traz um caso apresentado como exemplo de desempenho.

Segundo Guilhon, o consultor empresarial Evandro Rodrigues teria iniciado com cerca de 750 seguidores totais e, após seis meses de trabalho com a plataforma, alcançado 235 mil seguidores, com vários vídeos chegando a um milhão de visualizações ou mais.

O fundador afirma que, a partir desse alcance, Rodrigues passou a ser reconhecido no nicho e recebeu convites para palestras e congressos, ilustrando a tese de que tráfego orgânico pode ampliar reputação e abrir oportunidades profissionais.

Ferramentas de IA e a escolha editorial que continua humana

O debate sobre esse tipo de ferramenta ocorre em paralelo a uma pergunta prática: o que muda quando a seleção de momentos “bons” é guiada por modelos automatizados?

Para o criador da Spreed.Ai, o argumento é que a tecnologia acelera uma parte repetitiva do processo, sem substituir o papel de quem edita, aprova e define o posicionamento público do conteúdo.

Ao mesmo tempo, o próprio funcionamento depende de uma escolha editorial que continua humana: que temas serão gravados, o que se quer comunicar e quais recortes fazem sentido para a imagem de quem publica.

A ambição, descrita na mesma entrevista, é ampliar atuação e consolidar a plataforma como apoio para marcas e pessoas que desejam visibilidade sem depender apenas de tráfego pago.

Entre criadores e empresas, a busca por ferramentas que prometem agilidade em edição e consistência de postagem cresceu à medida que vídeos curtos viraram vitrine de autoridade, produto e serviços, sobretudo quando o público descobre um perfil por cortes que circulam de forma autônoma.
com informações de CLICKPETROLEOEGAS 

Fonte: Diário Do Brasil

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Aos 21 anos, mineiro cria IA para ‘viralizar vídeos’, vai para SP e fatura R$ 700 mil por mês