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Particularmente – e já contei isso outras vezes -, jamais menti à minha filha e lhe disse que “O Brasil é o país do futuro”. Ao contrário de meus pais e avós, que repetiam insistentemente essa lorota, ainda que, coitados, acreditassem de fato nessa possibilidade, me desapeguei de qualquer esperança há muito tempo – bem antes de ela nascer. Só não poderia imaginar, contudo, que o grau de degradação social, econômica, institucional etc. se agigantasse tanto a ponto de tornar quase insuportável a vida em solo pátrio.
Sim. Porque viver – e conviver! – diariamente sob a chibata do Estado confiscatório, que tudo pode e nada retorna, obrigado não apenas a custear a orgia das castas dos três Poderes (executivo, legislativo e judiciário), nas três esferas (municipal, estadual e federal), como também os bolsos gulosos de empresários, empreiteiros, banqueiros e afins corruptos, sem ao menos, agora, nem sequer poder reclamar, sob risco e pena de ações judiciais supremas, é similar a uma prisão perpétua em uma masmorra da era medieval.
É insuportável assistir ao que alguns ministros da Suprema Corte – senão todos, já que certas notas oficiais em defesa dos piores desmandos são assinadas por todos os magistrados – vêm fazendo com as leis, com as liberdades civis e, no limite, com a própria Casa que os abriga. Quando ministros de cortes superiores fecham os olhos para as ilegalidades de outros, e o único poder capaz de fiscalizar e atuar nestes casos é muito mais cúmplice que vigilante, já não há mais caminho dentro da normalidade institucional.
Em outubro, tudo igual
É insuportável, igualmente, assistir à cúpula do Congresso Nacional (parte dela mais suja que “pau de galinheiro”, como se diz popularmente), em defesa própria, mancomunar-se com o judiciário, sempre e quando lhe convém, a fim de manter tudo como está – Michel Temer já avisava: “Tem de manter isso aí” -, para continuar assaltando a nação e transformando o sangue, o suor e as lágrimas de quem estuda, trabalha e produz em milhões de reais para si e seus parças de picaretagem explícita, pois nem disfarçar eles precisam mais.
É insuportável notar que, entra eleição, sai eleição, nada muda. Ou melhor. Muda para muito pior, pois a cada legislatura, temos mais trambiques, mais benesses indecorosas, mais usura e usurpação da atividade pública. Tudo isso, claro, causado por nós mesmos, os eleitores, a população que só se organiza em torno de futebol e carnaval e só é solidária, como ensinavam Otto Lara Resende e Nelson Rodrigues (sobre os mineiros, injustamente, por sinal), no câncer. Afinal, políticos e governantes não caem do céu; mas das urnas.
Por fim, mais insuportável ainda é chegar em pleno 2026 e ter como favoritos a vencerem suas eleições Lula, Bolsonaros, Cunha, Calheiros, Dirceu, Nikolas, Cleitinho, Janones, Randolfe e tantos outros da espécie “embusteira” – para dizer o mínimo -, que continuarão batendo carimbo de “aprovado” em ministros suspeitos, em supersalários, em emendas secretas, em impostos mais altos, em fundão eleitoral e partidário, enquanto juram nos amar e defender, já que assim vem dando certo (para eles) há pelo menos mais de 30 anos.
com informações de O Antagonista
