Por Antonio Graceffo ─ Autor, The Epoch Times

Informações dos serviços de inteligência dos EUA indicam que o PCCh pode estar se preparando para enviar MANPADs ao Irã nas próximas semanas, em meio a um cessar-fogo. Se confirmado, o movimento sugeriria a passagem do apoio indireto para um envolvimento militar mais direto, apesar de Pequim continuar se apresentando como pacificadora.
Segundo a CNN, citando fontes familiarizadas com avaliações recentes de inteligência, os sistemas que Pequim estaria pronta para transferir são mísseis antiaéreos lançados do ombro, conhecidos como MANPADs. As armas são portáteis, fáceis de ocultar e difíceis de interceptar. O envio marcaria uma escalada no apoio chinês ao Irã durante o cessar-fogo.
Os MANPADs foram usados com eficácia contra aeronaves americanas voando em baixa altitude nas primeiras semanas do conflito. Donald Trump afirmou que um caça dos EUA provavelmente foi abatido por um míssil lançado do ombro, que o Irã disse integrar um novo sistema de defesa aérea. Como o estoque iraniano estaria esgotado, o suposto carregamento chinês parece destinado a reabastecê-lo.
A China ampliou sua parceria com o Irã por meio de acordos econômicos e transferências de tecnologia de dupla utilização ligadas ao acordo de 2021. Analistas afirmam que esse apoio reforçou as capacidades iranianas de mísseis e drones. Especialistas dos EUA investigam se ataques recentes a Israel e países do Golfo envolveram componentes chineses ligados a combustível sólido.
Pequim forneceu materiais e conhecimento técnico para a produção de combustível sólido para foguetes, incluindo perclorato de amônio, elevando alcance e velocidade de lançamento dos mísseis. Essas remessas costumam passar por redes para contornar sanções, e a inteligência sugere que eventuais entregas de MANPADs podem seguir canais semelhantes. O apoio também incluiu sistemas de orientação.
A China também tem sido associada a remessas de materiais ligados a mísseis, incluindo perclorato de sódio entregue em portos como Chabahar e Bandar Abbas. O Irã buscou armas chinesas mais avançadas, entre elas mísseis antinavio supersônicos que poderiam ameaçar o Estreito de Ormuz. Analistas observam que essa cooperação pode alterar o equilíbrio militar regional e prejudicar as relações de Pequim com os Estados do Golfo.
Além do hardware, a China pode ter fornecido acesso ao sistema de navegação BeiDou, ampliando a capacidade do Irã de atingir alvos dos EUA e de Israel. O aumento da precisão dos ataques iranianos reforça as preocupações com melhorias na orientação, enquanto o programa espacial do país continua desenvolvendo tecnologias aplicáveis a mísseis balísticos intercontinentais.
A parceria se apoia em redes logísticas com empresas de fachada e centros de transbordo em terceiros países para ocultar transferências sensíveis. Apesar de ataques anteriores dos EUA à infraestrutura de mísseis iraniana, Teerã reconstruiu capacidades-chave. Empresas chinesas também teriam usado inteligência artificial, imagens de satélite e dados de rastreamento para mapear movimentos militares dos EUA e compartilhar inteligência com o Irã.
Componentes chineses já foram identificados em drones iranianos usados por aliados regionais e exportados para a Rússia.
A China suspendeu a maior parte das transferências diretas de armas ao Irã após a aprovação da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, em 2015, passando a oferecer apoio em produtos de dupla utilização e itens ligados à defesa.
Pequim nega fornecer armas e provavelmente adotará a mesma linha diante das suspeitas sobre um eventual envio de MANPADs.
Nesse contexto, a China tenta se apresentar como pacificadora e os Estados Unidos como belicistas. Alguns meios de comunicação atribuíram ao PCCh o mérito de ter ajudado a intermediar o cessar-fogo, mas essa caracterização parece exagerada.
Autoridades iranianas disseram ao New York Times que uma intervenção chinesa ajudou a convencer Teerã a aceitar a proposta paquistanesa. Shehbaz Sharif agradeceu publicamente à China, enquanto o ministério chinês afirmou apenas que Pequim havia feito “seus próprios esforços”.
A propaganda do PCCh apresenta a China como potência global responsável e contrapeso ao que descreve como belicismo dos EUA. Ainda assim, as fontes primárias que atribuem papel decisivo a Pequim são Irã e Paquistão, nenhum dos quais pode ser considerado objetivo. O Irã depende da China em dinheiro, tecnologia e apoio para seus programas de mísseis e nucleares.
O Paquistão, cuja relação com a China é descrita como uma “irmandade de ferro”, depende fortemente de investimento e apoio diplomático chineses. Dar crédito a Pequim não impõe custo a Islamabad e reforça uma parceria da qual o país depende.
Washington não confirmou que a China tenha desempenhado papel significativo no cessar-fogo.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, limitou-se a dizer que “houve conversas entre os altos escalões do nosso governo e do governo chinês”, formulação vaga e distante de atribuir a Pequim o mérito de ter mediado a trégua.
Questionado pela AFP sobre se a China havia ajudado a levar o Irã à mesa de negociações, Trump respondeu: “Ouvi dizer que sim”, um reconhecimento de segunda mão, não uma afirmação direta. A mediação do Paquistão foi o mecanismo publicamente confirmado. O papel da China, se existiu, segue sem verificação independente.
Em suma, o regime comunista chinês não aparece, pelas informações disponíveis, como o pacificador global responsável pelo cessar-fogo entre EUA e Irã. Ao contrário, as avaliações de inteligência sugerem que Pequim pode estar migrando do apoio por tecnologia de dupla utilização para o fornecimento direto de armas contra aeronaves e pessoal dos Estados Unidos.
