Técnica de terra ensacada possibilta construção de baixo custo sustentével e com grande conforto térmico Foto: Arquivo Pessoal/Raphael Autran/ND Mais

Técnica de “superadobe” utiliza terra compactada para garantir inércia térmica e sustentabilidade; custo por metro quadrado em Florianópolis equivale ao de construções populares.

Entre as técnicas consideradas inusitadas para a construção de residências está o método de “terra ensacada”, que entrega grande conforto térmico e sustentabilidade.

Também conhecido como “superadobe”, o sistema foi desenvolvido pelo arquiteto iraniano Nader Khalili, em 1984. Usualmente, sacos de polipropileno são preenchidos com terra úmida e a compactação resulta em uma estrutura autoportante, que se sustenta sem a necessidade de pilares ou vigas auxiliares.

Apesar da simplicidade do conceito, o modelo possui complexidade de engenharia e exige logística intensa. Raphael Autran, idealizador da Baobá Construções Sustentáveis em Florianópolis, explicou ao ND Mais o desafio do volume de material.

“É um processo trabalhoso. Em uma construção de 100 metros quadrados, podemos gastar entre 150 e 200 metros cúbicos de terra devido à taxa de compactação”, afirmou.

Inércia térmica e custos da terra ensacada

Raphael destaca que o conforto térmico e acústico são as grandes vantagens das paredes estruturadas. “A terra tem uma propriedade chamada inércia térmica. Ela demora para esquentar e depois demora para perder esse calor. Assim, a casa fica fresca durante o verão e aquecida no inverno”, explica o especialista.

Quanto aos valores, o custo de uma casa de terra ensacada seria equivalente ao de programas populares, variando entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil por metro quadrado.

“Tudo depende do processo: se é autoconstrução, trabalho voluntário ou terceirização. Os custos variam de cenário para cenário”, diz Raphael. Para uma residência de 100 m², a estimativa de construção é de três a cinco meses.

Os princípios da “bota” e do “chapéu” na terra ensacada

Para garantir a durabilidade da estrutura contra intempéries, o processo construtivo baseia-se em dois conceitos fundamentais:

  • Bota: consiste em tirar a casa do chão, criando um alicerce firme de pedra ou concreto armado para evitar que a terra tenha contato direto com a umidade do solo.
  • Chapéu: as casas são projetadas com beirais extensos ou varandas, que auxiliam na proteção das paredes contra a chuva.

Além desses princípios, as estruturas de terra ensacada recebem métodos de impermeabilização que podem ser naturais, como óleo de linhaça ou pintura à base de terra e cola, ou convencionais, como tintas acrílicas e à base de óleo.

Com informações de ND mais.

Fonte: Diário Do Brasil

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