Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CDH-CLDF) realizou, na manhã desta sexta-feira (22/5), uma fiscalização no Complexo Penitenciário da Papuda, onde foram identificadas diversas irregularidades, como alimentos estragados, ausência de atendimento médico adequado e superlotação nas celas.

Segundo o relatório da comissão, a vistoria foi motivada por denúncias feitas por detentos. Alguns relataram que a comida servida é “intragável”. “A alimentação parece lavagem. Já chega estragada, com cheiro de podre, e não podemos nem reclamar, pois sofremos retaliações”, afirmou um dos presos.

“A alimentação servida aos presos é um problema grave. Foram relatadas diversas situações em que a comida já chega com odor de deterioração”, declarou a coordenadora da CDH, Keka Bagno.

Durante a inspeção, os parlamentares também constataram superlotação nas celas. Em alguns espaços, 25 detentos dividem ambientes projetados para cerca de 8 pessoas. De acordo com dados da própria unidade, aproximadamente 3.150 presos ocupam um sistema com capacidade para cerca de 1.500 vagas. Há relatos de detentos dormindo no chão ou em redes improvisadas.

Outro ponto destacado foi a falta de atendimento médico adequado, especialmente nas áreas de odontologia e psiquiatria. Presos relataram dores e infecções sem acesso a tratamento. “Estou com a boca infeccionada por causa de um dente quebrado e espero atendimento há meses. Não consigo me alimentar e sinto muita dor”, disse um detento.

“Celas cada vez mais cheias, pessoas aguardando cirurgias e falta de atendimento psiquiátrico foram os principais problemas encontrados hoje. Vamos produzir um relatório e encaminhar aos órgãos competentes”, afirmou Fábio Felix, presidente da comissão.

A CDH informou ainda que mais de mil detentos necessitam de atendimento odontológico, enquanto apenas dois médicos, um psiquiatra e um psicólogo atuam para atender cerca de 3 mil internos.

Também foram relatados casos de retaliação contra presos que fazem reclamações, incluindo restrição de banho de sol e visitas. “Quando reclamamos da comida, a resposta pode ser punição ou isolamento”, relatou um detento.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) foi procurada e informou que deverá se manifestar oficialmente na próxima segunda-feira (25/5).

Com informações de Metrópoles

Fonte: Diário Do Brasil

Compartilhar matéria no
No momento, você está visualizando Comissão de Direitos Humanos flagra comida podre na Papuda; VEJA