
Rafael Oliveira foi escolhido pela Heineken como novo presidente-executivo e presidente do conselho de administração da companhia Imagem: Divulgação/Heineken
A Heineken nomeou o executivo brasileiro Rafael Oliveira como seu novo presidente-executivo e presidente do conselho de administração nesta terça-feira. É a primeira vez que a cervejaria holandesa escolhe alguém de fora para o cargo de liderança, em um momento em que as empresas do setor de bebidas alcoólicas buscam impulsionar as vendas por meio de mudanças na liderança.
Oliveira é atualmente o CEO da JDE Peet’s, fabricante holandesa de café e chá, desde 2024. Ele passará a integrar a Heineken, a segunda maior cervejaria do mundo, por um período de quatro anos a partir de 1º de outubro, informou a empresa, acrescentando que espera que ele acelere ?a estratégia já definida para 2030.
“Após uma rigorosa busca global, o conselho de supervisão escolheu Rafa por unanimidade por sua combinação única de visão estratégica, experiência operacional e perspicácia financeira”, afirmou a Heineken em comunicado.
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As ações da Heineken subiam cerca de 3%, superando o desempenho do mercado em geral e atingindo seu nível mais alto desde março.
A incerteza sobre quem lideraria a fabricante das marcas Tiger e Sol, além de sua cerveja lager homônima, pesou sobre as ações da empresa.
O ex-CEO Dolf van den Brink, que liderou a Heineken por seis anos, anunciou sua renúncia inesperada em janeiro, e a empresa está sem presidente-executivo desde o início de junho.
Desafio da nova gestão
A saída de Van den Brink foi uma das várias ocorridas no setor de bens de consumo ao longo do último ano, incluindo em grandes concorrentes do setor de bebidas, como a Diageo e a Remy Cointreau, onde comitês de contratação e investidores recorreram a candidatos externos na esperança de que eles possam injetar energia renovada.
O brasileiro Oliveira terá a tarefa de liderar a Heineken em um plano de ajuste que inclui o corte de 6.000 empregos, a necessidade de ampliar os volumes de vendas apesar da previsão de queda na demanda global por cerveja e alcançar os retornos para os investidores da rival Anheuser-Busch InBev .
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O desafio é ainda maior, já que todo o setor enfrenta o aumento vertiginoso do custo de vida, mudanças nos hábitos de consumo de bebidas alcoólicas e preocupações com os efeitos do álcool na saúde, além de ameaças emergentes, como medicamentos para emagrecer, que podem afetar o consumo de bebidas alcoólicas.
Em comunicado, Oliveira afirmou que a estratégia da Heineken para 2030, segundo a qual a cervejaria prometeu alcançar maior crescimento com menos recursos, era uma plataforma sólida para o futuro.
“Estou confiante de que aceleraremos o crescimento, impulsionaremos a produtividade e prepararemos a Heineken para o futuro, conquistando o coração dos consumidores em todo o mundo”, disse Rafael Oliveira.
A Heineken informou que Oliveira possui duas décadas de experiência tanto em mercados desenvolvidos quanto em mercados emergentes, além de um histórico de implementação de estratégias focadas e melhoria de desempenho.
Antes de ingressar na JDE Peet’s, ele atuou como presidente de mercados internacionais na Kraft Heinz .
Trajetória profissional
Analistas afirmaram que, além de uma sólida experiência em bens de consumo, Rafael Oliveira também possui experiência anterior em mercados de capitais, o que lhe dá uma vantagem ao buscar gerar retornos para alguns investidores insatisfeitos da Heineken.
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“Em apenas 17 meses na JDE Peet’s, Oliveira demonstrou uma clara capacidade de diagnosticar e redefinir estratégias rapidamente”, afirmou Laurence Whyatt, analista do Barclays.
Oliveira, no entanto, carece de experiência em lidar com a dinâmica específica do setor de cerveja e bebidas alcoólicas, o que, segundo alguns analistas, representa um risco. “Como alguém de fora do setor de cerveja e da Heineken, ele terá muito a provar”, escreveram analistas do ING em uma nota.
Com informações de UOL NOTÍCIAS
